Às vezes penso se pensas em mim. Se me lês ainda. Se dás pela minha falta, se te irrita o que digo. Sorrio. Precisamente por te imaginar irritado. Tenho muitos dias que não te lembro. Tenho dias de vento em que teimosamente caminho contra essa força. Tenho outros que nem o sinto. Talvez porque não sopre. O vento. Ouço os pardais e outros pequenos pássaros que não se misturam com os carraceiros e os corvos no jardim, e recordo os teus conhecimentos de tanta coisa na Natureza que admiro e não sei o nome. Tu sabes. Eu não preciso de saber o nome de cada coisa que admiro na Natureza para a sentir de forma avassaladora em mim. Serei por isso ignorante aos teus olhos ? Interessa-me mais sentir que falar. E muitas vezes sinto a tua falta. Nem que seja do que não tivemos porque assim tinha de ser. (Ter o quê ? )A tua crítica aguçada dava-me força. Assim como se picam as bestas antes de entrarem na arena. Que digo eu ... Estimulavas-me o pensamento, a curiosidade - coisa rara vinda de um macho. És daquelas pessoas com quem se pode partilhar o silêncio. Retomemos então. O silêncio. Até que se quebre. Assim, distantes.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
Tanto que gosto da vida e de viver. E frequentemente sou obrigada a parar para aceitar o seu princípio e o seu fim. No mesmo dia, nasceu um bebé de alguém que me é próximo e faleceu o filho de alguém que conheço desde pequena. Filho mais novo que eu e como eu, filho único de uns pais que não voltaram a ser pais mesmo com outras pessoas. Como se suporta, como se ultrapassa a perda de um filho ??... No velório de um, de lágrimas nos olhos, enviava felicitações a outros. E pensava que estava ali uma mãe que vai passar o Natal sem o filho vivo. Uma mãe que continua viva mas com uma grande parte morta. E ao seu lado, num tormento enorme a perder forças, estava a futura mãe que carrega a esperança do prolongamento do seu filho falecido. Uma mãe que vai passar o primeiro Natal com um filho nos braços. Insólito, no mínimo. Incompreensível e doloroso ao máximo. O fim de semana cinzento antecipava o turbilhão de emoções de segunda feira...
sábado, 17 de novembro de 2018
Hoje estou como o tempo: cinzenta, ventosa, triste. Resguardada no meu castelo longe da civilização de pensamentos idiotas, espero tranquilidade e fortalecimento de espírito. Ainda abalada por quem despreza adolescentes, sem os ouvir, negando-lhes o direito a explicação, marcando negativamente os melhores anos da sua vida, período que vivem e sentem intensamente cada momento... e a primeira imagem quando abro a janela é ver um pai de passo apressado arrastando uma menina de uns 2 anos pela mão, que fala arfando e mexe os pézinhos como pode na tentativa de acompanhar aquela pressa desmedida... O que se passa nas vossas cabeças ??? que revolta... não saio da toca, não. Farta de injustiças.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018
Ler faz falta. Faz falta a adultos e crianças. Sabendo que as crianças no seu processo de aprendizagem e preparação para a vida adulta imitam os adultos, devemos ser nós a dar o exemplo lendo um livro de vez em quando. E não nos limitemos a ler, partilhemos o que lemos trocando opiniões, fazendo analogias, etc. Ler, ajuda a desenvolver o vocabulário e a imaginação, dá largas à criatividade, possibilita o sonho e a compreensão da realidade, proporciona o conhecimento e desenvolve o interesse pelo aguçar da curiosidade. A leitura deve ser estimulada desde a mais tenra idade. O manuseamento de um livro com folhas grossas e fofas onde estejam impressas imagens chamativas acompanhadas da voz da mãe, dá a conhecer ao bebé um amigo para toda a vida: o livro. Ler é poder.
Esta é a forma como habituei os meus filhos aos livros. Como ninguém é igual, um adora ler, já o outro só lê um livro se for obrigado no âmbito de uma qualquer disciplina. Mas lê. Mas porquê esta conversa toda ? Porque fiquei chocada com a opinião de outros pais numa conversa sobre uma leitura obrigatória no âmbito da disciplina de Língua Portuguesa, ou seja, a nossa língua materna. Foi dada uma lista de livros dos quais deviam escolher um para ler e apresentar trabalho no fim do primeiro período escolar. Quando fui informada do livro que tinha de comprar, já o livro tinha sido mais que pesquisado na net - trata-se de um policial muito conhecido com cerca de trezentas páginas. Convém dizer que estamos a falar da minha criança de 12 anos que gosta de ler. Seja como for, chocou-me os pais indignados porque os livros na sua maioria não têm imagens, "são só letras" e um, imagine-se tem "170 páginas!". Até pode ser difícil para grande parte de miudos desta idade mas eu vi a lista e há livros mais pequenos que os miudos conseguem ler com o incentivo dos pais. Agora, se ouvem os pais a dizer "coitadinho do meu filho, ler um livro sem imagens em época de testes", é certo que não vão ler nada. E os miudos nesta idade estudam na véspera, logo não são os testes que os impedem de ler umas páginas de um livro na cama antes de apagar a luz para dormir. Tem de vir detrás, tem de dar-se o exemplo, tem de ler-se histórias fantásticas às crianças desde cedo para que queiram aprender a ler por si. A leitura com imagens é para quem só "lê" bonecos ! A escrita tornada leitura é uma coisa sublime para quem ama e sente cada letra que junta a outras traduzindo estados de alma.
Leiam por favor. Estimulem a atividade cerebral sempre que estejam acordados.

sábado, 10 de novembro de 2018
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
Aquele perfume que paira quando estás por perto
Um beijo roubado entre olhares cruzados
O passo trocado pela calçada incerta
O salto que prende
a malha na meia pela mão que desliza
a renda preta contrasta com o tom de pele
suspiros abafados
pulsação que acelera
a barba que arranha ao roçar
relógio no pulso
desejo adiado
Um beijo roubado entre olhares cruzados
O passo trocado pela calçada incerta
O salto que prende
a malha na meia pela mão que desliza
a renda preta contrasta com o tom de pele
suspiros abafados
pulsação que acelera
a barba que arranha ao roçar
relógio no pulso
desejo adiado
terça-feira, 6 de novembro de 2018
Um dia alguém me falou por aqui sobre a estupidificação do trabalho repetitivo, que não aguentaria ficar entre quatro paredes diariamente com um horário obrigatório. Gerou-se uma conversa interessante sobre as necessidades de cada um e o que estamos dispostos a suportar para viver com dignidade. Pois bem. Uns arriscam mais que outros. Uns são mais independentes e outros têm dependentes. Faço parte do segundo grupo. Sim, já arrisquei muitas coisas mas nunca profissionalmente. E embora os dias custem por vezes a suportar, tento compensar com outras coisas que me fazem verdadeiramente feliz. Nem sempre dá para por em prática as ideias alternativas mas arranjo escapes por todo o lado. Desde desenhar, pintar, coser, remexer a terra e plantar/semear, passear a cadela, caminhar, dançar em aulas de grupo, dar uma volta sem destino a pé, entrar num qualquer café diferente do habitual para tomar o pequeno almoço, ler um bom livro num banco de jardim, parar o carro junto ao mar e respirar aquele ar fresco e revitalizante ou ir ao alto da serra e sentir o vento volver os cabelos... que livre que me sinto ! Que feliz consigo ser a par do que mais me minimiza ! Preciso de fugir à rotina muito embora mantendo a continuidade. O segredo está no equilíbrio; quanto mais presa me sinto, maior terá de ser a amplitude do vôo.

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