segunda-feira, 17 de agosto de 2015


Apeteces-me por entre as gotas de água que regam a relva, em que descalços brincamos e juntos caímos entre risos sinceros. Apeteces-me na sombra do sobreiro grande que acarinha os amantes esquecidos do tempo. Apeteces-me na praia, de corpos quentes entrando na água de mão dada mergulhando num mundo imenso e desconhecido, sem medo. Apeteces-me lá no alto, mais perto do céu e das nuvens deixando tudo o que é térreo mais longe, sentindo o vento e o toque dos anjos na pele. Apeteces-me na noite, sob as estrelas cadentes e a luz misteriosa e protetora da lua, entre o piar da coruja e os estalidos da madeira. Apeteces-me de manhã, pela alvorada, acordando com um beijo que se prolonga no olhar brilhante que diz tudo sem palavras. Apeteces-me despido de preconceitos, despojado de limites e regras, numa partilha sem reservas.


domingo, 16 de agosto de 2015

Gosto de dias cozinhados com amor. Sim, porque para cozinhar tem de usar-se o amor, ingrediente fundamental para que os cozinhados fiquem especialmente saborosos. Cozinhar com amor, é gostar de o fazer e ter a certeza que vai sair gostoso. E quando a ajuda na cozinha surge com vontade, é o amor a aproximar-nos. Conversas trocadas entre uma colher de farinha e três de açúcar (porque outra caiu ao chão), uma lambidela da massa e umas nozes furtadas enquanto se dança a música latina que toca... Sorrisos doces, cumplicidade, a certeza do sentimento que nos une. Resultado prático: doce de abóbora com nozes e uma tarte de requeijão que desaparece num instante ! :)



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Estou cansada ... mas abrando apenas, pois a caminhada contínua é que cria a resistência dando capacidade para atingir a meta.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Sou mulher. Parece curta mas é uma extensa explicação que encontro para tudo o que sinto. E sempre gostei de ser mulher. Nunca desejei ser homem como tantas mulheres que conheci. Ser mulher é ser rico. Tanto que cabe em nós... tanto amor, tanto perdão, sempre tanta actividade no coração e fora dele ! E às vezes somos atrizes mas na maior parte do tempo somos verdadeiras. É que mesmo quando somos atrizes estamos a representar um papel verdadeiro a bem de alguém. Afinal, toda a vida é um teatro... Sorrimos com vontade de chorar, ralhamos com vontade de sorrir, choramos com vontade de ralhar, gritamos quando queremos é fugir, fugimos quando não queremos falar, falamos quando queremos gritar... suportamos dor como só as mulheres conseguem, trabalhamos a vida toda a qualquer hora, deitamos-nos exaustas a planear o dia seguinte, o nosso corpo serve a vida - sem preço. O mesmo corpo que acolheu o filho, o embalou e deu de mamar, serve minutos depois para acarinhar o companheiro cumprindo diferentes papeis. E a ginástica mental que tal exige só a mulher compreende. Estudamos, trabalhamos, controlamos a escola dos filhos, tratamos de tudo o que envolve o lar, tentamos corresponder ao que esperam de nós, e às vezes ainda dá para estar com uma amiga ou para fazer uma caminhada de head phones regulados bem alto ! Ser mulher é estar sempre bem viva num carrossel de emoções sem fim !

Bom fim de semana !

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Há caminhos traçados de ida
caminhos traçados de volta
há caminhos traçados de ida
que nunca mais terão volta
Perdi-te uma vez
chegou de chorar
voltaste e abracei-te
pensei que ias ficar
Esqueci-me porém
que adulto te fizeste
não sabes escolher bem
não volta o que perdeste
O caminho certo
apagou-se do labirinto
cada vez mais perto
cada vez mais minto
Não quero aceitar
o rumo que está a tomar
ver-te assim a sofrer
sem parar até...

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Resultado de imagem para milagre da vidaComo mãe, cada vez que um filho faz anos, faço de tudo para que o dia corra bem e haja algo inesquecível ou pelo menos diferente. É sempre um dia cujos planos começam pelo menos 6 meses antes na cabeça dos aniversariantes. Já para a mãe, basta 1 mês, às vezes menos. O que interessa é comemorar um momento único. E é aí que está o que importa de facto para o que quero explicar: o momento único em que nasceram. O momento que por mais que o descrevamos, é na nossa memória que está vivo, não na deles. Podem saber até tudo o que se passou por nos ouvirem contar tantas vezes mas não têm a imagem que nós temos, nem o sentimento que voltamos a sentir cada vez que recordamos. Desde o medo de os perder por não se ouvir o coraçãozinho até aquela imagem do olhar indefeso, o beicinho a tremer para chorar, as extremidades do corpo esbranquiçadas e enrugadas pela falta do líquido das "águas rebentadas" há horas, a cabecinha meio deformada pelo encaixe perfeito, a beleza da vida, o contorno da boca, os olhinhos que nos fitam, os dedinhos da mão que se atracam a um só nosso dedo, a sofreguidão da mama... é esse milagre que como mãe comemoro de cada vez que um filho completa mais um ano. É essa bênção que agradeço cada vez que olho para eles. Fui agraciada com o dom da vida. Claro que comemoro muito mais do que o "momento único" pois a vida é feita de momentos únicos, desde o degrau que se sobe ao tropeço na pedra do caminho. Tudo faz parte. Mas aquele momento, desculpem-me o egoísmo, ninguém o tem como eu !