segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Sugeriram-me há pouco... symphony 3 "Slavyanskaya" by BorisKkozhevnikov... e eu gostei.



Deixa que te leia
permite que entre na tua história
atribui-me um papel
deixa que fique por perto
que sinta o teu cheiro
quero voar nos teus olhos
acertar o meu coração pelo teu
deixa que o vento leve as páginas rasgadas
escreve comigo cada novo conto
e ponto por ponto chegaremos lá
deixa que te leia
quero encontrar-me em ti
para me perder de seguida
vamos contar a nossa estória juntos
para que juntos a terminemos.



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Sonhos...

Era sempre uma correria.
Ele apanhava o comboio da linha de Sintra e chegava quase em cima da hora de marcar o cartão. Ela entrava num autocarro na margem sul para depois mudar para o metro e chegava bem mais cedo. Dava-lhe tempo de ir à cabeleireira quando chegava antes das 8, ou de beber um café para percorrer as montras com o olhar antes de entrar no edifício.
A meio da manhã, trocavam uns beijos fugazes no elevador entre as entradas de colegas em cada andar, para seguirem para um break. Todos já desconfiavam que ali havia coisa, os olhares brilhantes que trocavam iluminavam cada sorriso envergonhado que disfarçavam com palavras curtas.
Depois, era passar o resto da manhã a desejar a hora de almoço. Hora de almoço... nem almoçavam na maior parte das vezes ! A paixão dominava os dois de uma forma que alimentava todo o corpo. Sem quererem dar nas vistas, o primeiro que saísse esperava na plataforma do metro. E lá iam os dois até ao jardim do Campo Grande quase todos os dias, trocar beijos e abraços, palavras de amor... Não havia fome, não havia frio, não havia nada que interferisse naquele tempo. Muitas vezes de cara colada a olhar os patos que deslizavam no lago, o silêncio tomava conta do momento enquanto os perfumes dos dois se misturavam pelo calor emanado dos corpos. "Que horas são ?" E abotoava-se o botão atrevido, vestiam-se os casacos e corriam de novo para chegar a horas. Ofegantes, corados, de sorrisos rasgados entravam e proferiam o "boa tarde".
A tarde decorria idêntica à manhã. Nem sempre havia a despedida para o dia seguinte porque tudo isto seria contínuo, sem fim. Seria um sonho, com uma casa perto da praia e uma família numerosa que se juntaria aos fins de semana e férias com os atritos familiares habituais.
Seria. Mas como em qualquer sonho há sempre o momento em que se acorda.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016


Não pude deixar de dar (mais) um abraço à minha filha pela sua iniciativa e espírito empreendedor, não baixando os braços e muito menos deixar levar-se por promessas que custam a cumprir-se, para além do bom gosto que demonstrou. Perguntou-me se podia imprimir uma máscara para pintar porque todos os meninos das outras salas já andavam a brincar com máscaras que fizeram e na sala dela ainda nem começaram... Está aqui o resultado da ideia que nasceu da noite para o dia ! Apenas ajudei a recortar.

Já com o fato de carnaval foi idêntico. Idealizou um fato de Cleópatra que não conseguimos encontrar. Compramos um de rapaz e apenas mantivemos o vestido branco pois tudo o resto fez aqui a mamãe com as ideias da filha :) É preciso é querer e ter materiais que dê para adaptar. Ok, e talvez um bocadinho de talento para a obra...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

FALA-ME DE AMOR
DO AMOR E DA ESCRITA
Resultado de imagem para margarida rebelo pinto
por Margarida Rebelo Pinto


"Escrever é uma droga dura", dizia-me o António Lobo Antunes há 15 anos, quando almoçávamos uma vez por semana numa tasca dentro de uma garagem nos Moinhos da Funcheira. Ninguém tem uma existência completa se não visitar lugares como os Moinhos da Funcheira, onde o planeamento urbano nunca existiu, nem tão pouco licenças para as habitações lá construídas. Casas erguidas sem a mão de arquitetos ou engenheiros, com escadarias por fora a cruzar a vista de janelas, azulejos desirmanados nas fachadas, telhados tortos e cercas de diferentes desenhos, frutos de recolha em ferro-velho, lixo e acaso.
"Parece que já estão a licenciar isto", dizia o António com o seu olhar líquido e vago, o mesmo olhar de Bukowski nas entrevistas, aquela expressão de quem já vive tão chateado que nada nem ninguém o pode chatear mais. Bebíamos vinho ao almoço, o António com gosto e eu por cerimónia, a mousse de chocolate era deliciosa e troçávamos do mundo com aquela crueldade subtil que só os escritores partilham.
"A escrita é uma droga dura, agora a bicicleta pensa que isto é fácil, mas vai ver daqui a uns anos quando a sua vida for um inferno", dizia-me enquanto acendia um cigarro e eu respondia-lhe "não seja tão negativo António", porque pensava que ele era um fatalista sem cura, e afinal agora dou-lhe razão. Nunca me importei que me chamasse bicicleta porque sempre que o fazia, o seu olhar ficava menos baço e subia-lhe à cara um sorriso fácil de miúdo de liceu.
Tinha razão, o António. Todos os dias de manhã cedo me sento à secretária, quando embalo e as palavras chegam sem atrito o dia é bom, mas se por acaso não vêm, fico à espera como a mulher da canção do Chico Buarque, "sentada, pregada na pedra do porto, com o seu único e velho vestido cada dia mais curto". A escrita e o amor são muito parecidos, ou então sou eu que os vivo de igual forma. O escritor aprende a fazer tudo em silêncio. Mesmo aqueles que preferem escrever em cafés, usam o ruído em volta para se isolarem do mundo. Escrever e amar são atos solitários. Cada um escreve como sabe e ama como pode. Escrevemos com erros, amamos com ainda mais erros. Amamos de menos e demais, no tempo errado e de modo inadequado, muitas vezes amamos mais quem não nos sabe amar do quem merece o nosso amor. Acreditamos que amamos mais os filhos do que eles nos amam, pensamos que esquecemos quem amámos, pensamos que o nosso amor vence tudo quando a vida vence quase sempre o amor. O mundo é todo nosso e conseguimos agarrá-lo enquanto escrevemos, o mesmo se passa quando amamos. Nunca temos fome, nem sede, nem sono, nem medo de falhar. O amor empresta-nos uma capa de super-heróis. Vencemos tudo, só não nos vencemos a nós mesmos, porque o amor pode dar cabo de nós.
Nunca mais fui almoçar aos Moinhos da Funcheira, imagino que as casas já foram silenciadas e que as ruelas de terra batida já se civilizaram com a chegada do deus alcatrão, mas quando me lembro do António e das nossas conversas, oiço o meu coração a dar-lhe razão. O amor é uma droga dura, nem todos aguentam, e quando nos entra para as veias, é muito difícil esquecer tudo o que nos faz sentir. Amamos sempre, porque se não amarmos, temos a sensação de que o mundo acaba. Na verdade nunca acaba, quem acaba somos nós, mas se não vivermos para contar o que vivemos, já cá não estamos para contar como foi, portanto vai dar ao mesmo. Ainda assim, é melhor amar do que não sentir nada no peito e usar o coração como uma máquina de fazer massa, fazer fios das emoções e deixá-las cair num prato, como pasta para carbonara.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Também guardo mágoas. E das grandes, pelo menos para mim. Tenho memórias que me assolam quando menos espero e tenho de viver com elas. E não as invento nem adultero. São o que foram e serão. Mais. Não estou sempre a falar delas, embora reconheça que algumas podem ter contribuído para certos bloqueios com que me deparo no quotidiano. Não lhes chamo traumas. Não me sinto traumatizada. Só não quero que filho(a) meu passe pelo mesmo. E considero que sou uma adulta equilibrada. Não sei o futuro nem quero saber. Vamos vivendo. Fazemos-nos ao caminho e lá vamos. Tudo o que precisares poderás contar comigo, pois mesmo que não queiras vou ajudar-te. Já desisti de chamar-te à razão, à realidade, à verdade. O teu ego precisa de atenção, eu sei. Mas já agora... alguma vez te perguntaste o que terei sentido ao assistir à tua perda de sentidos e queda no chão depois da ingestão daquela dose de comprimidos, ver levarem-te em braços para uma viatura que atingiu uma velocidade louca para chegar ao hospital enquanto te via a espumar da boca ? Jamais esquecerei.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

É certo que as mulheres queixam-se constantemente da falta de interesse por parte dos homens em satisfazê-las sexualmente, o que só por si leva muitos homens a quererem contrariar essa tendência, estando dispostos a serem conduzidos por elas na esperança de encontrar um ponto mistério que varia de mulher para mulher. Como se por exemplo o estado de espírito no momento não tivesse influência, ou o cheiro, ou... tantas coisas. Sim, somos seres complexos. E os homens não o são menos. E é toda a diversidade que envolve os géneros que torna o sexo sublime. Ou não. Bem o que queria enfatizar é que me arrelia bastante quando um homem (ou projeto de homem que um dia poderá ser, sei lá) questiona uma mulher sobre se gosta mais disto ou daquilo, ou onde é o ponto "x" que a leva ao êxtase ! Helloooo ! Não perguntem, sigam o caminho natural e tudo correrá bem ! Se não correm o risco de acabar com toda e qualquer possibilidade de percorrerem o caminho do exito ! Como podem minimizar tanto, reduzir a um simples ponto, tudo o que contribui para o  prazer ?? Como colocam o assunto de forma dicotómica ? Não pensem tanto, isso está reservado para nós. O importante e essencial é que haja química.


Resultado de imagem para prazer