terça-feira, 7 de julho de 2015


Quantas mais histórias terei de vincar na minha pele até encontrar a tua ?
Quantas mais horas de sol suportarás até que te rendas ?
Quanta água perderá o meu corpo até que possa amparar o teu ?
Que caminho queres seguir que não se cruza com o meu ?
Quantas palavras minhas te levará o vento sem que o sintas ?
Quantas mais perguntas farei até que me cales ?


segunda-feira, 6 de julho de 2015



Tenho por vezes a sensação de que estou neste mundo para trabalhar, para servir os outros., como que tele comandada. Não há tempo para mim. Aliás, estou a ser injusta. Eu consigo arranjar tempo para mim, claro que em detrimento do tempo para fazer outras coisas. Ou seja, quando acaba o tempo que arranjei para mim para disfrutar, tenho de num curto espaço de tempo que se lhe segue fazer o que estaria já feito no período tempo do qual tirei um pedaço para mim. Fiz-me entender ?... O descanso que consegui obter, gasta-se imediatamente.
Todos nós tempos uma missão na Terra, não sabemos é qual é que está guardada para nós. É estranho pensar nisto… Eu não penso que “está escrito”.  Mas não estás aqui por acaso, não andamos à deriva, há como que um fio condutor não que te guia mas que deves guiar-te por ele. Pronto. Já meti os pés pelas mãos outra vez… Se não me guia porque devo segui-lo ? Vamos por outra via.
 Acho que somos pequenas peças de um jogo muito grande chamado Universo. Quer queiramos quer não, a posição dos astros influencia o nosso comportamento desde o nosso nascimento. Se até se contam o nº de luas para avaliar o términus da gestação das fémeas, ou fazem-se previsões de culturas e colheitas mediante a observação das estações do ano… se cada elemento deste universo tem a sua função, nós também temos de ter. Somos os peões que andamos para a frente ou para trás, consoante as regras do jogo. Essas regras são muitas vezes aldrabadas por quem joga, mas logo vem a repreensão da Natureza para jogar de acordo com o previsto. Não. O “meu” Mundo não pode ser tão redutor, tão limitado…
Acho que procuro explicar tudo quando nem tudo tem explicação.


E que bom que há coisas sem explicação ! É uma chatice esta coisa da causalidade ! O melhor mesmo é ir fazendo escolhas, estabelecendo objetivos, cortando metas, e de vez em quando fugir ao percurso que também faz bem ! Arrisca !

Está por aí
no ar
BALANCOIRE COQUELICOT : Baloiços e jogos por KSL LIVING
suspenso
à espera de um pequeno gesto
de um grande passo
não se explica
Inventem-se palavras
nomes de sentimentos
as que há não chegam
para nomear o que cresce sem nome
Em volta nada avança
tudo pára
tudo espera pelo momento
Algum dia...
será ?


Só para começar o dia...
Porque me apetece, porque sou mulher com mais de 40...

Mulher - um ser único ! por Paulo Coelho

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A grande caminhada da Vida V


Alice caminha de cabeça baixa. Está triste. Sente-se só. Uma coisa é estar só, outra é sentir-se só. Está frequentemente rodeada de seres idênticos a si. Uns riem, outros falam, outros passam simplesmente por si. Outros há que sem falar, estão em permanente contato consigo mentalmente, pois o coração emite uma onda magnética que os mantém em contato permanente. Mas hoje nem esses. Alice caiu. Não está só – sente-se só. Envolta em pensamentos dúbios, hipóteses rebuscadas de traições, colocando até em causa as opções do caminho, o otimismo não abunda de todo. Sabe que as incertezas fundamentam o que não tem fundamento porque é incerto, proliferando a idiotice. Não consegue parar. Há um grito interno clamando por sossego. Mas é um grito surdo, apenas detetável  pela sua consciência que a tenta encaminhar pela via da razão. Também há dias assim. De revolta. Alice sabe que o consolo virá da capacidade de saber esperar. Da sabedoria alcançada com a maturidade. Mas é difícil a espera. Alice questiona o caminho, questiona se tem capacidade para saber esperar. Hoje não. Hoje nada. É melhor nada fazer. Amanhã será um melhor dia para continuar, sem sombras. Pausadamente Alice fecha os olhos e o coração, e descansa.


“cego
de ser raiz

imóvel
de me ascender caule

múltiplo
de ser folha

aprendo
a ser árvore
enquanto
iludo a morte
na folha tombada do tempo “


© MIA COUTO
In Raiz de Orvalho e outros poemas, 1999 

quinta-feira, 2 de julho de 2015


As pessoas que me dão pena são aquelas que tendo o conhecimento na mão, preferem deixá-lo cair do que apreendê-lo. São sobretudo aquelas pessoas que nadando em ignorância, não dão importância aos detalhes da sua vida e ocupam-se dos detalhes da vida dos outros. Ou que insistem em ser o centro das atenções por motivos absurdos. Tenho pena das pessoas que descuidam o seu interior enfeitando em demasia o exterior, tapando o sol com a peneira. (Não tenho pena da mãe pobre que se subalimenta para comprar um caderno para o filho ir à escola – admiro-a, venero-a, merece ajuda). As pessoas de quem tenho pena não me ensinam nada de novo, muito pelo contrário. Confundem, empatam, produzem “lixo” verbal, atrasam, estagnam, são repetitivas, dão demasiada importância a coisas fúteis e insignificantes a meu ver, claro está. Depois… depois temos as outras pessoas, as que nos dão asas ! E é tão bom quando encontramos uma dessas pessoas ! Toda a tranquilidade que nos proporcionam, é como um campo aberto que é sempre mais e mais extensível, não há  limites para assuntos, não há cercas nos campos, não há preconceitos nos temas, os gestos são naturais, tudo simplesmente flui… A paz que se sente na presença dessas pessoas é inexplicável. Parece que a tensão nos ombros se esvai imediatamente pelas extremidades dos braços. Caminhas na mesma direção com essa pessoa ao lado, sem os desencontros frequentes que se verificam com outras pessoas. Basta dizeres uma ou duas palavras que a pessoa completa o resto da frase, estão em sintonia. É como viver na mesma frequência. As pessoas que nos dão asas estão dispostas a voar connosco, e a planar contra o vento, a descer em voo picado, a fazer uns loopings de vez em quando, a tomar o lugar da frente no bando por nós…

quarta-feira, 1 de julho de 2015

I hear the voice
It comes from far way
Sings something I can’t understand
Don’t know
A far whisper
I look around
From where, from who
I’m going to meet it
It calls me
It moves way
I run
Look to the sky
The moon smiles sneering
The shooting star takes my desire
We’ll sing the same song together
Somewhere, someway
Don’t be afraid
I’m here, to you.