segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Nunca teve muito sentido de humor. Nunca  me fez rir como eu gostaria.
Aquele fogo que incendeia tudo por dentro, não me chegou a tocar.
A sua insegurança quanto ao poder de decisão esteve sempre presente.
Interesses diferentes. Conversas vazias, forçadas.
Nada de surpreendente. Tudo igual todos os dias.
Cansei.
Melhor sozinha.

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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Frequentemente levamos a vida à pressa. Queixamos-nos de como tudo passa depressa, que não temos tempo para nada, que o dia devia ter mais umas três ou quatro horas... Não sou exceção. Ainda por mais sou geminiana com ascendente em gémeos e dá-me verdadeiro prazer fazer várias coisas ao mesmo tempo e ser rápida no que faço é um orgulho. No entanto, quando a correria é muita há sempre algo que nos faz tropeçar e andar mais devagar, ou mesmo parar. Hoje, a minha correria diária ficou mais lenta fisicamente dando espaço à introspeção. Constatei que não é preciso correr, andar à pressa. Se não se fizer agora, faz-se depois. Mas aquilo que fizer agora, se o fizer de forma moderada sem pressas, sou capaz de aproveitar o momento. Se o fizer à pressa nem tomo o sabor de nada, simplesmente faço, executo. Mais vale fazer menos mas com mais sabor, retirando prazer do que se faz. Imagine-se um simples beijo de despedida de manhã. Não pode ser um simples toque de pele, um gesto automático. Acrescente-se uma carícia, um olhar, um abraço, algo diferente todas as manhãs porque todas as manhãs são diferentes. Da mesma forma, não coce a orelha do seu cão com desapego. Faça-lhe festas ao mesmo tempo que fala com ele, olhe-o nos olhos e perceba o que ele lhe diz com o olhar e com os gestos da cauda. Não se limite a aceitar um dia de sol. Procure as abelhas que rodopiam as flores ou as formigas trabalhadoras que lhe fogem debaixo dos pés. Não basta o "Bom dia, como está?", espere para ouvir a resposta ! Afinal interessa ou não saber como está a pessoa que cumprimentou ? As palavras se forem ditas sem serem sentidas não têm o mesmo valor. Os momentos se não forem aproveitados são desperdiçados pois já não voltam.
Vale a pena pensar nisto. Não ?...

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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Ai se eu pudesse amar-te com o poder do vento !
Em dias calmos acariciava-te como uma brisa suave de fim de tarde de verão
Semeando em ti o desejo de refrescar a pele sobre uns pálidos lençóis...
Ai se eu tivesse o poder de te rodear e sentir todo o teu corpo como o vento faz !
Volvia-te o cabelo, rodopiava à tua volta
Embriagava-te com beijos e sussurros até ficares com o olhar fixo no meu transbordando de loucura todo o sentimento negado
Ai se eu pudesse !
Amava-te devagar como uma brisa
Amava-te com pressa qual furacão
Amava-te quieta, sem vento, sem poderes próprios
Amava-te em todas as velocidades... se eu pudesse.

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terça-feira, 26 de setembro de 2017

O beijo.
A importância do beijo na boca no relacionamento sexual. "A soul kiss: an open mouthed kiss envolving tongues meeting each other", ou seja, um beijo de boca aberta em que as linguas se envolvem como que se conhecendo uma à outra. Diria mais, é um beijo de alma em que as línguas tentam de facto tocar a alma do outro. A boca é uma fonte de estimulos, dá e recebe. Há melhor começo que um toque de lábios, olhos nos olhos ? Ali, bem de perto, sentindo a temperatura do outro, respirando o mesmo ar, provando o sabor do outro... se não der aquele friozinho no estômago não vai dar certo porque o desejo não está lá ! Experimente ter sexo sem beijar ou ser beijado(a). Não é a mesma coisa. O beijo dá prazer e conduz a novos estímulos. É pelo beijo que o corpo consente ou não ser partilhado no sexo. Se o beijo for incompatível não vai dar, não vai satisfazer plenamente. Não tem que amar para beijar, tem que beijar para amar o corpo do outro. E beijar por todo o corpo, de várias maneiras, só lábios, só língua, com lábios e língua, com saliva, sem saliva... use tudo ! Beije ! Beije muito, beije tudo !

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Olá ! Parece-me que não escrevo há uma eternidade. E todo e qualquer pedacinho de tempo serve para crescermos, para amadurecermos. É que o planeta está sempre a girar, isto não para, e as coisas acontecem. Há umas que se programam e têm um espaço virtual limitado dentro do qual se podem mover, estender, encolher, Outras há... que nos surpreendem porque apesar de se falar nelas não esperamos verdadeiramente que aconteçam. Estou a falar no plano da saúde. A minha mãe sofreu um avc numa manhã normalmente calma, sem atritos. Chegou de mansinho, baralhou-lhe o sistema nervoso e graças a Deus e ao meu pai foi prontamente socorrida e levada para o hospital, onde ficou durante uns dias até estar bem o suficiente para voltar para casa. Foi duro, chocante, estranho. O medo instalou-se porque o futuro poderá ter mais episódios destes e... mais frequentes e graves. Já recuperou muito, apenas mantém uma certa ponderação a falar e andar sendo que por vezes a sinto ausente ou baralhada com a sucessão de acontecimentos, incluindo confusão com as personagens. Para já o pior já passou. Umas semanas depois aconteceu a minha cirurgia já programada. Correu tudo dentro do esperado embora lá dentro a situação estivesse pior do que aparentava. Sempre fui resistente à dor o que é prejudicial em certas situações. Enfim, estou um bocado dependente... Não consigo conduzir, cortar o meu bife, lavo a cabeça com uma só mão, não lavo roupa sem ser na máquina, para estender inventei uma nova maneira mas não consigo pegar no alguidar... e por aí fora. O ser humano é uma animal de hábitos e habituamo-nos a qualquer nova maneira de fazer as coisas. O braço direito ainda não tem força mas há de ter ! Mas tudo isto levantou muitas questões... as amizades, quem se preocupa verdadeiramente, as diferentes atitudes e reações das pessoas, não só relativamente a mim mas também à minha mãe. Como sempre, avaliamos os outros por nós mesmos. Se quando me dizem que fazem um exame médico em tal dia eu guardo a data para depois saber da pessoa porque me interesso, pensei que fariam assim comigo também. Não. E quando uma amiga soube e contou a outras e me enviaram sms e outro tipo de mensagens, respondi de modo seco. Merd@. Apeteceu-me até... enfim, já passou e controlei-me. Fechei-me, saí completamente de circulação até porque quando não estamos aí para festas nem estamos disponíveis para conduzir há muito amigo que se dissolve algures. Ficamos sem saber nada deles. Não são amigos, são gente conhecida oportunista. Prometi a mim mesma ser para eles como foram para mim, afinal amor com amor se paga ! e não é que não sou capaz ??! Já retive uma data importante para uma "amiga" a quem já transmiti algumas palavras de apoio. Fico irritada comigo mesma. A minha mãe sempre me ensinou a dar a outra face depois de ser esbofeteada mas houve tanto ensinamento que não segui e este ficou-me gravado! E custa-me porque da minha lista de amigos afinal, sobraram três que estão cá no coração. E claro, a minha família chegada que tem sido incansável ! Não quero com estas palavras armar-me em santa porque o que sou mesmo é parva. Quero dizer vos para se preocuparem com quem se preocupa convosco, Para telefonarem ou visitarem em vez de enviarem mensagens. Na voz percebe-se se a pessoa está bem ou não se formos atentos. Na presença não dá para enganar ninguém ! E se realmente se preocupam com quem não está bem, por favor vão ver essa pessoa ! Olhem que fiquei a conhecer muitos dos meus "amigos" nas últimas semanas...
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Saúde para todos ! Até breve.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

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Um dia vou escrever um romance. Um romance de amor. Daqueles que toda a gente vive, ou devia viver, mas que esconde por ser demasiado sentido. Sentido, marcante, extremo. Daqueles que tanto se pode ir ao cume da felicidade como se sofre muito pela sua ausência. Uma história forte, que nos apegue e que nos faça desejar ter um amor assim. Um amor carnal que se deixe envolver espiritualmente. Um amor que não apetece largar, que mesmo longe está presente. Que nos dê prazer entre olhares, sorrisos, beijos, gargalhadas ! Que nos faça sentir vivos ! Ah mas primeiro... tenho de o viver.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Imagem relacionadaEla, a minha princesa, tem algumas dificuldades que os outros aceitem a sua maneira de estar no mundo. Não que tenha dificuldades em fazer amizades pois toda ela é sorrisos e vontade de conhecer o outro. Acontece que sempre foi muito estimulada para questionar e procurar autonomamente as respostas (mea culpa). Mas todo o desejo de conhecer, toda a curiosidade natural é inata a esta menina. Já nasceu assim, não fui eu. É certo que sempre falei muito com ela de forma muito íntima enquanto estava na minha barriga. Desde que soube que estava grávida, estabelecemos um contacto único e especial, principalmente ao saber que vinha aí outra mulher, outro ser guerreiro. Falava com ela a sós (tal como hoje) tanto com assuntos de felicidade como de preocupação, dando-lhe exemplos e mostrando como poderia utilizá-los no futuro a seu favor para evitar situações menos boas ou conquistar vitórias. E ela respondia-me com movimentos na barriga. Quando eu estava triste ou aborrecida com algo, a ligação era extrema e tenho a certeza que sentia o mesmo que eu, e juntas lá enfrentávamos o mundo. Mas o cordão umbilical agora é virtual. Foi cortado. Ela tem as situações dela e eu as minhas. Vamos falando, partilhando, abrimos caminho juntas muitas das vezes, noutras alturas tenho de defender a minha cria desses abutres ignorantes que desconfiam de tudo quanto é diferente, daquilo que não percebem. E vem-me ao pensamento a caça às bruxas, mulheres virtuosas, inteligentes, que conheciam a natureza e através dela curavam os enfermos, poderosas detentoras de conhecimento diverso, de anatomia, etc. Estamos no sec. XXI mas a mentalidade de muitos ficou lá atrás na Idade Média. E ela que gosta tanto de não ser igual a todos. Como a ovelhinha preta do rebanho que fez a diferença embora ela não queira ser como os outros, quer mais que os outros sejam como ela (conhecem a história ?https://www.youtube.com/watch?v=VcyRy7Gpb7A) diz que na escola lhe chamam gótica soft. Já foi com o cabelo roxo para a escola e até fez sucesso aparentemente – e fica-lhe tão bem ! Mas não consegue ter conversas como gostava com os colegas. Ela fala de cinema e de realizadores de cinema e conhece-os pelo seu estilo e filmes. Sabe o nome dos actores. Lê as críticas antes do filme sair em Portugal. Se estiver em inglês e tiver alguma dificuldade, faz copy/paste no tradutor e voilà ! Conhece as músicas antigas tipo anos 80/90 e canta-as explicando o que diz a letra. Filosofa sobre esoterismo e experiências paranormais. É fascinada por História, sobretudo a que diz respeito à antiga Grécia e Egipto, envolvendo Mitologia, claro.  Adora arte. Faz coisas lindas com as mãos, seja a pintar, a desenhar, com tecidos, linhas… Escreve de forma maravilhosa contando histórias com início, desenvolvimento e fim, sempre com alguma lição a retirar. Não compreende injustiças. Quer ajudar todos que aparecem pela frente a pedir. É um doce de menina. Hoje disse-me que prefere a escola pública que frequenta à escola particular onde está em ATL, “nesta não ia ser feliz mãe”. Pois não. Estaria mais limitada, com meninos híper mega protegidos que “não conhecem o filme O Tubarão, como é possível já com remakes recentes, mãe ?” Tem 11 anos e uma memória enorme cujo início roça o dia em que completou os três anos. Como ela diz, “há coisas que eu não me queria lembrar mas que ficaram cá por qualquer motivo”. É muito boa aluna mas ainda não tem pedalada para não se deixar afetar pelos efeitos externos de vária ordem e acaba por se prejudicar. É uma wonder woman capaz de mudar o mundo. Adora bebés. Anda descalça sempre que pode e quando descontrai é bastante distraída – tropeça, derruba coisas... Talvez por ter uma atividade cerebral sempre acelerada, precisa de dormir muitas horas (10 a 12 é o ideal). Gostava que a instituição “escola pública” estivesse preparada para aceitar e soubesse estimular crianças assim. A minha não é única bem sei, mas é a minha filha. Sente-se muitas vezes marginalizada porque foge ao esteriotipo das coleguinhas que querem maquilhar-se e puxar os calções para mostrar a coxa assim que a mãe vira as costas. As educações não são as mesmas nem dadas da mesma forma. A minha cresce a saber aceitar as diferenças. Ainda no outro dia me falou de uma cantora que assumiu a bissexualidade e eu fiz um qualquer comentário que ela achou depreciativo e disse “não nos cabe a nós julgar as opções dela, mãe”. A minha menina de ouro é assim e tenho muito orgulho nela. Vai ser grande. Vai ser do tamanho dos seus sonhos !
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