quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Hoje é daqueles dias que me está a ser difícil perceber o mundo.
Comecei bem cedo a ver/ler um vídeo sobre uma experiência levada a cabo no centro de Madrid, em plena luz do dia. Uma mulher atraente, supostamente embriagada, sem bateria no telemóvel, bebe cerveja por uma garrafa camuflada. É inacreditável ver o tipo de abordagem do sexo oposto ! Não há quem a ajude, quem chame um táxi... Pelo contrário, incentivam-na a beber mais e propõem a deslocação para um hotel, visando a companhia sempre a beberem a três ou quatro. Há um que a empurra para um local menos movimentado e começa a beijá-la, tendo que haver interferência da equipa que gravava a cena à distância. Isto passou-se em plena luz do dia, numa capital da Europa, muito movimentada. Nem quero imaginar noutras condições... Estou desiludida, mais uma vez.

Depois disto já tive outro tipo de leitura. Mulheres que seguem a carreira profissional enquanto os companheiros ficam em casa cuidando de todas as tarefas domésticas e filhos (tudo mesmo). Incrível como só assim eles conseguem perceber e dar valor às multifacetas femininas. Abençoados homens que proporcionaram isso às suas companheiras de vida. E de facto, a lição principal é que o segredo está na educação durante o desenvolvimento da crianças: enquanto continuarmos a criar meninos machistas e meninas verdadeiras fadas do lar, nada mudará.

Being 30 foi outra leitura interessante à qual terei de voltar com mais tempo. Mulheres (e homens) por esse mundo fora com vidas e objectivos tão diferentes.

Passei depois a um testemunho de vida de uma jovem que nasceu na Coreia do Norte ( Yeonmi Park) e felizmente reside agora em New York. É apenas um testemunho entre milhares de pessoas que passam pelo mesmo. Como é possível em pleno sec. XXI  haver situações de pessoas que não vivem mas sobrevivem a actos tão deploráveis, e conseguem ter força e coragem para ultrapassar, e conseguirem uma vida digna ? Tanto que fica sempre por dizer... Um livro a comprar.

Acabei as leituras matinais com fotos da migração na Europa. Tão elucidativas que nem foi preciso ler. Fiquei sem palavras.

Migrantes tentando proteger-se do mau tempo


terça-feira, 27 de outubro de 2015

(reeditado)

Nunca fui tua
Não
Nunca fui de ninguém
Nem serei, sabes
Aqueles momentos em que pensaste que me tinhas
Que me possuías
Que te pertencia
Não
Não sabes o que é o amor
Que não prende
Não obriga
Não cobra
Apenas se dá
Oferece
Ajuda
Que fica feliz com a felicidade do outro
E está sempre lá
E abraça
E consola
E ama
Um amor que aceita
Que partilha
Que acompanha
Que deixa voar e que voa junto
Que sabe rir e chorar
Falar ou calar
Que pisa o mesmo caminho
A mesma fé
Que canta e embala dançando
Que estende a mão com confiança
Nunca fui tua
Não serei de ninguém
Nem alguém quererei
Só desvenda a minha alma quem eu deixo
E de dentro para fora de mim
Ainda não houve quem tivesse capacidade
Fácil é olhar de fora para dentro.



Reeditando este post... para que não haja confusões, segue-se o poema de Florbela Espanca:

Eu não sou de ninguém!... Quem me quiser
Há-de ser luz do Sol em tardes quentes;
Nos olhos de água clara há-de trazer
As fúlgidas pupilas dos videntes!

Há-de ser seiva no botão repleto,
Voz no murmúrio do pequeno insecto,
Vento que enfurna as velas sobre os mastros!...

Há-de ser Outro e Outro num momento!
Força viva, brutal, em movimento,
Astro arrastando catadupas de astros!

domingo, 25 de outubro de 2015

Trago em mim o aroma do teu corpo
gotas de amor absorvidas pela pele
olhares mudos que perduram
bocas trémulas pingando desejo
e tu
que levas em ti ?

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

"O pranto desoculta a nossa mais íntima nudez.
Pela lágrima nos despimos."
Mia Couto in "A Varanda do Frangipani"

Ultimamente, parece que me identifico com tudo o que leio de Mia Couto.
A saúde ou falta dela, tem ameaçado o clã de mulheres a que pertenço. O pranto tem sido uma constante nas horas vazias. A lágrima é a companhia perfeita da angústia crescente que reside nesta esperança (muitas vezes vã) de melhoras. Há coisas que se ultrapassam mas outras... Estes testes constantes quase rebentam com o limite do que é suportável. E a luta é diária. E os sonhos acumulam-se. E é o desejo de os cumprir a todos que nos torna mais fortes, capazes de sorrir a quem revela essa íntima nudez de sentimentos sublimes que pela lágrima se vão deixando ver. Transbordando sentimentos. Juntas vamos conseguir, vamos vencer.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Resultado de imagem para felicidadeNovo projecto em andamento. Entre tantos anos de histórias contadas e recontadas, outras inventadas quando não havia um livro à mão... Para adormecer, para entreter, para desviar a atenção de algo, útil em tantas situações, a qualquer hora, em qualquer lugar. Propuseram-me escrever um livro em parceria, um livro de histórias curtas, independentes. Ela escreve uma história e eu outra, e assim por diante, até que achemos suficiente. A minha filha e eu. A proposta foi dela. (A felicidade é isto !)

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Não te deixes levar pelo vento
Resultado de imagem para andar contra o ventoNão deixes que essa força te arraste
Vira-te
Enfrenta
Luta
Revolta-te
Não queiras ser mais uma no rebanho
Usa os teus trunfos
Faz valer a tua opinião
Haverá mais assim embora minoria
São esses que vencem
Que lideram as suas vidas
Que sorriem
Que nada devem
A ninguém