segunda-feira, 16 de maio de 2022

 Li um estudo feito nos Estados Unidos que conclui que somos mais felizes depois dos 50 anos. Embora tenha tido uma infância muito feliz, já não me recordo de muita coisa e tenho muito mais presente o agora depois dos 50. E o que pensei que seria um mito, aconteceu. Sim, houve uma mudança ao entrar nessa década maravilhosa. Nada é por acaso e o facto do covid-19 me ter obrigado ao tele trabalho, levou a uma série de alterações que naturalmente proporcionaram a introspecção e a observação, e constatação de muitas evidências. Deixou mais tempo livre para fazer outras coisas. Obrigou a uma nova maneira de gerir a casa e a família. Ensinou a dar mais valor ao que interessa, ao que é verdadeiramente importante. Promoveu a proximidade de uns e o afastamento de outros. Independentemente dessa influência de tudo o que está relacionado com o vírus, a vida muda. Já não nos importamos com o que os outros possam pensar de nós e das nossas atitudes (se bem que nunca dei muita importância) -  o que interessa é estarmos bem connosco, com a nossa consciência. Dormir tranquilamente não tem preço. O que interessa é como nos sentimos na nossa essência pois sabemos que o envelhecimento físico é inevitável e não corresponde à evolução espiritual. Se quero ir a algum lado vou, se não quiser não vou, mesmo que seja só para dormir uma sesta na sequência de um episódio de uma qualquer série que quis ver na netflix. Sabemos bem o que não queremos. A menopausa acrescenta uma despreocupação crescente a uma vida prazerosa que desejo loooonga. E é tão bom sentir que o meu bem estar e felicidade não depende de ninguém pois todas as respostas estão em mim e só depende de mim cada passo que eu der. Estar triste, feliz, chateada, ansiosa, expectante... é uma escolha apenas minha. Estou onde devia estar e só podia ser quem sou. Tudo me trouxe aqui.




quinta-feira, 10 de março de 2022

Esta sensação de presença, de partilha de sentimento, de simultaneidade de pensamento
Este bem querer sem querer nem poder
Este bater descompassado que apenas acerta com o teu
Estas milhas de distância que nos mantêm tão perto
Um virar as costas, uma negação constante, uma vontade reprimida
Uma quimera, uma ilusão, um bem maior a que não chegaremos



quarta-feira, 24 de novembro de 2021

 

Como será possível voltar atrás de uma coisa que não tem volta. Foi uma vida a insistir no começo daquela melodia. A mesma tecla tocada inúmeras vezes. Dançando outras músicas, cantarolando letras desconhecidas, assobiando para o ar... Aquela melodia sempre na memória. Sempre. E num dia cheio de luz com aroma a flores em que os pássaros se abrigam do calor, chegas ao piano e tocas a melodia com as mãos meio destreinadas. E recordas cada mudança de tom, cada intervalo entre sons... mas a cada tentativa de chegar ao fim da melodia, apercebes-te que o piano tem uma tecla desafinada, e isso estraga tudo. Insistes em tocar e ilusoriamente esperas ouvir o que sentes, mas o ouvido detecta o erro e a melodia não chega ao fim. Uma melodia escrita para piano, nunca sairá igual noutro qualquer instrumento. Decides não tocar de todo. A melodia perdurará na tua memória. Para sempre.




domingo, 3 de outubro de 2021

 "(...) e assim me tornei um louco.


E encontrei tanto liberdade como segurança na minha loucura:

A liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós."


Khalil Gibran



terça-feira, 22 de junho de 2021


 

O que é o amor ? - perguntas-me

O amor é não desistires de ti. É amares-te todos os dias e em cada momento que te vires ao espelho, este refletir a tua luz ampliando esse amor semeado no teu coração. É valorizares-te e não deixares nada por fazer ou dizer, sabendo igualmente quando e o que calar. O amor é escolher ser feliz dentro daquilo que se tem, sem cobiçar, invejar ou apontar o dedo. è gostar da própria companhia e aproveitar o silêncio para ouvir e interpretar os próprios pensamentos, sem medos.

Amor não é partilha ? - insistes.

Sim, amor é partilha, respeito, reciprocidade e liberdade. Não confundas com dependência, cercas e obrigações. Podes amar o teu jardim mas se colhes um ramo de flores para colocar na jarra limitas o seu desenvolvimento, acabas com a sua beleza, limitas o seu tempo de vida; de que serviu o amor ? Amas o canto dos pássaros e por isso compras uma gaiola para o encarcerar ou colocas comida num prato para venham cantar à tua janela ?

Mantém a tua casa arrumada, cuidada e arejada para que o amor flua. Manda fora o que não faz falta, renova a decoração. E quando falo de "casa" não quero apenas referir-me ao imóvel onde habita o teu ser mas também ao corpo que acolhe o teu espírito. O amor quer-se leve e risonho, sem amarras nem planos. O amor é o agora sem amanhã porque amanhã pode ser tarde demais. Ama tudo, ama todos, mas começa por ti. Sem sonhos. Os sonhos são enganadores e a qualquer altura acordas para a realidade. Retém uma máxima: o amor está em ti desde sempre, não se manifesta pela chegada de alguém à tua vida. Percebeste agora a grandiosidade deste sentimento ? É infinito e ilimitado, flexível e intenso e está presente em cada pedaço da criação da Natureza.



sexta-feira, 11 de junho de 2021

 Vão e vêm. Crescem e rebentam em espuma suave que acaricia a areia preparada para receber a sua chegada. Nunca iguais. Com mais ou menos força, maiores ou menores, mais turvas ou transparentes. Os movimentos repetem-se embora sempre diferentes. A vida acontece em ciclos de 24 horas que se subdividem mas os dias diferem entre si. E há as semanas, os meses, as estações do ano, os anos, ... os anos letivos, os anos fiscais, os anos civis, os anos religiosos... Tanta repetição e nada é igual. E é na diferença que se progride porque a evolução assenta na tentativa permanente de aperfeiçoamento da repetição de padrões. Assim é. Confuso ? Repetitivo. Cíclico. Expectável. Redondo, sem arestas. Igual por fora.




terça-feira, 1 de junho de 2021

 Tenho saudades vossas. Tenho saudades de toda a força, de toda a vivacidade que senti em cada texto que aqui escrevi. Quero voltar a ser aquela alma sensitiva que transborda vida pelos olhos, pelas extremidades do corpo porque a matéria que a suporta não chega para abarcar tanto sentimento. Quero voltar a ser eu, no verdadeiro sentido do EU, virada essencialmente para mim e para o que me faz sentir a vida !