terça-feira, 27 de setembro de 2016
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Subitamente apetece-me pintar sonhos
Sem saber a cor ou o tom sei que tem de ser intenso
tem de ter cores misturadas contrastantes
o quadro tem de contar algo, tem de falar por si
sem lacunas
sem espaços vazios
toda a tela será preenchida
Não pode ser a pincel, carvão ou pastel
será com as mãos
sem luvas
com os dedos
só assim poderá ser
só assim conseguirei desvendar o que não percebo e se manifesta
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Dulce vive só.
Dos seus airosos setenta e cinco anos, sente-se uma vida activa, uma mulher sem medo, bem humorada e "enxuta".
Viuva desde a meia idade, vive do que sobra das duas reformas depois de ajudar o único filho que resta. Fala com tristeza de mais essa partida que a morte lhe pregou. Dois filhos.
Apetece-lhe comprar coisas bonitas para a casa mas... para quê ? Tem coisas ainda por estrear e não tem visitas.
Diz-me que sai à mãe que ainda tem, já velhinha. É rija.
Ainda nos rimos um pouco. Pareceu-me conhecê-la desde sempre... Fiquei com a sensação que foi de lágrima no olho quando nos despedimos.
Estes encontros inesperados em que alguém que nunca vi se abre comigo a este ponto (foi um pouco mais do que revelo), fazem-me pensar e questionar tanta coisa na vida.
Amem, vivam, desfrutem, aproveitem cada momento, não sabemos como vai ser o momento seguinte.
Já agora, o nome é fictício. Nem sei como se chama. O que é um nome numa vida ?...
O local onde se trabalha é por natureza o local onde mais tempo passamos por dia. São cerca de oito horas em que transformamos trabalho em dinheiro para podermos viver nesta sociedade consumista. Esse local deve ter um ambiente naturalmente saudável o que inclui desde boas condições técnicas e físicas a um relacionamento no mínimo aceitável entre os colegas. Não me afecta os vários degraus da hierarquia pois que em toda a célula social há uma hierarquia e regras a respeitar e seguir. Não me afecta o trabalho. Não me afecta o número de conversas ou os vários tipos relacionamentos. Afecta-me o silêncio. O silêncio no local onde muitas pessoas se concentram para trabalhar frente ao PC, é eco de pensamentos e suspeitas, olhares e desconfianças, ouvidos alerta para qualquer vôo de insecto. E colocam-se os auscultadores. E fica-se isolado. Quando o silêncio se instala entre várias pessoas, a voz inibe-se de trocar o produto do pensamento. E cala-se. E morre. E entristecem-se as almas como a minha que aspiram a hora de saída para voltar aos atropelos de vozes na hora de jantar à mesa, em que cada um quer contar como foi o seu dia. E quando perguntam "e o teu dia como foi ?" desvalorizo e quero saber mais, viver o dia deles com o mesmo entusiasmo com o que o fizeram.

Claro que também gosto de silêncio. Do meu silêncio, em que medito, reflito, faço introspeção, descanso. Se estou só, ouço os meus pensamentos, a minha voz. Mas quando estou com os outros, não devia sentir-me só.
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
terça-feira, 20 de setembro de 2016

segunda-feira, 5 de setembro de 2016
É lixado quando olhamos para um determinado periodo da nossa vida e concluimos que fomos enganados. E o pior é ver que fomos enganados por nós próprios. A verdade estava lá e por "n" razões não a quisémos ver. É isso que doi. Compreender aos poucos que fomos mentindo, melhor fomos ocultando a verdade e tapando os erros com outros erros até que chega um dia e não dá para continuar. Sorrir quando apetece chorar. Falar baixo quando apetece gritar. Ter de sair quando apetece ficar. Ou ficar quando apetece sair. Permitir quando se quer recusar. Calar quando apetece cantar... As relações humanas devem pautar-se pela verdade e pelo diálogo, assente numa base de sentimentos firmes. Mas nada acontece por acaso. Há que reconhecer os erros para não voltar a repeti-los pois só assim se aprende, só assim se cresce, só assim se pode ser feliz. Tudo tem um propósito.
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