domingo, 13 de abril de 2014



Os caminhos da vida
São como os carreiros no campo
Cresce mato e tens de ir por outro
Abre-se uma vala e tens de saltar
Na maior parte das vezes ficam inertes e nada cresce
O que havia é pisado e morre.
Há dias que encontras um caminho novo
E pensas que podias ter seguido esse caminho
Se ele existisse quando precisavas dele
Mas as marcas escavadas na cara
Por tudo o que passou por ti
Impedem-te de optares
Empurram-te na corrente do tempo
Onde constantemente um pedregulho te puxa para o fundo.
E nesse caminho novo
Floresce a vida
O perfume das flores envolve-te
A cor faz-te sorrir
E sonhas…
Por momentos em que os olhos se fecham
A felicidade chega aos lábios e esboças um sorriso
Todo o corpo sente de novo a vida
Mas ao abrires os olhos
Reconheces que o peso da experiência
Não se coaduna com um caminho que é novo para ti
Mas onde alguém caminha à tua frente
E retornas, triste.

terça-feira, 1 de abril de 2014



Estou farta de hipocrisias, cinismo, falsidade. BASTA !

Que razão será mais importante para prevalecer a mentira em vez da verdade? Até parece intencional falar disto precisamente hoje, dia 1 de Abril ! Mas não. Só que há um limite para tudo e quando começa a tocar esse ponto a coisa fica difícil de aguentar. Porquê fazer parecer aquilo que não é ? porquê dizer uma coisa quando se quer dizer outra ? basta abrir a boca que a língua articula-se para dar voz ao pensamento ! Ou dizer e desdizer mais tarde – que coisa feia ! é o mesmo que não cumprir compromissos ! e quando se é adulto, supostamente consciente, responsável e admirado por alguns, e se tenta puxar o tapete a quem se começa a tentar equilibrar por si só … é o cúmulo da falta de educação e de princípios ! Não merecem qualquer voto de confiança. Mas há sempre quem não se aperceba. E há os que veem e fazem que não viram. E depois há os que nunca esquecem e os marcam para o resto da vida. Estou farta dessa gente hipócrita, com um super ego maior que eles próprios. Um dia caiem, ah pois caiem ! e são tão burros que nem vão perceber porque caíram. É pena é que antes de caírem, pisaram muitos  outros que não pretendiam sobrepor-se a ninguém, que só queriam viver a sua vida sem incomodar, de uma forma simples, aberta, transparente. E alguns que estejam no começo, não vão esquecer-se jamais das atitudes, da rispidez de palavras pronunciadas entre dentes que em conjunto com um par de olhos inseguros ditam ordens hitlerianas. Sem opção, sem qualquer alternativa. Um dia irão colher o fruto da semente que ora lançam…

segunda-feira, 24 de março de 2014



Sempre. Saramago tem (ou tinha) razão. Lamentamo-nos muitas vezes por dia que se o dia tivesse mais algumas horas talvez (possibilidade ínfima) conseguíssemos completar as tarefas a que nos propusemos. E o que fazemos com o tempo que temos ? Entregamo-nos à rotina pura e simplesmente. Ficamos acomodados. E tudo o que sai dessa rotina, baralha todo o esquema, tudo o que estava planeado. Nem nos lembramos que nada é por acaso, e se acaso algo nos alterou os planos... talvez devêssemos seguir outro caminho. A vida é para ser vivida com garra, sentimento, paixão, alegria ! é para aproveitar e gozar ! Tem de ser algo intenso, que deixe marca positiva, algo que contribua para boas recordações ! Só assim seremos eternos, porque permaneceremos na memória de alguém e no coração também . Who wants to live forever ? Me ! :)

quinta-feira, 20 de março de 2014

Ainda há pouco tempo estive entretida a coser à máquina. Sim, na Oliva da minha avó. Tem um valor sentimental extremo para mim, como se a minha avó estivesse presente no momento em que toco nos seus pertences.... E como sempre quase não alinhavei o trabalho. Não segui o fio condutor que seguem todos os que cosem. Tal como na vida. Não faço grandes planos. Sigo em frente buscando o que pretendo. Se correr mal, paciência - logo sofro as consequências. De realçar que ao coser sem seguir o alinhavo acabo por empenhar-me mais, dedicando-me inteiramente para atingir a perfeição, do que se seguisse o fio condutor. Tal qual como na vida, não tenho quem me desbrava caminho, vou sem medo, com fé e otimismo, acreditando. E isso faz com que me surpreenda a mim mesma e seja feliz com pequenos troféus que vou conseguindo ao longo deste percurso. Tal qual como na costura, compro o tecido e moldo-o consoante a necessidade ou inspiração. Na vida, jogo com os pontos que saem quando lanço os dados e os sopro com esperança.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Ontem comentei com uma colega que devo acabar a vida completamente louca. É um pensamento que por vezes me preenche a mente. E, digo mais. Parece-me que o estado de loucura já se iniciou de alguma forma. Isto quer dizer que daqui para o futuro, só vai evoluir e aumentar, espero que muito devagar. E porque acho que se iniciou ? Esta procura interior, esta necessidade crescente de isolamento, esta crença exponencial na natureza, este desejo constante de transcendência, a sensação de vivências únicas no contacto com o Divino (não me refiro a Deus mas a demonstrações d’Ele), a visão de momentos belos no dia em que ignoro tudo o que me rodeia (desde ruídos que não interessam a objetos que não perceciono…) – faz-me acreditar que se iniciou o processo, a caminhada para a loucura. Não uma loucura qualquer, mas a minha loucura, um estádio num nível superior em que estou em perfeita comunhão com a natureza e com o que há de mais belo no mundo. Não preciso de nada do mundo material. Só interessa a essência, o verdadeiro “eu”. Como se tivesse acesso a um portal no tempo. Claro que tenho de isolar-me para buscar esse privilégio de estar comigo mesma. A procura de me encontrar. De usufruir de mim. Talvez se resuma a isso. Mas essa introspeção é muito mais vasta do que possa parecer. É que ao encontrar o meu verdadeiro “eu”, as respostas às perguntas que formulo acabam por não ter importância nenhuma. Deus está comigo e basta-me. N’Ele encontro o que preciso, porque Ele é a essência de todas as coisas. Sinto-me bem comigo em plena natureza, olhando o céu enquanto escuto os sons dessa natureza: o canto dos pássaros, as folhas das árvores que abanam com o vento, as gotas de chuva que caem, o rebentar das ondas do mar, a água que corre fresca, o coaxar da rã, o coelho que passa pela moita… e todos esses sons são transportados para o mundo humano pela música. É uma outra procura que fazemos sem pensar dada a evidência da necessidade de estarmos ligados à natureza. Sempre. É uma loucura que sabe bem. Talvez haja mais loucos para além de mim.