segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Gosto tanto quando estamos juntas ! Ontem estivemos as cinco, só faltou a matriarca que por não conseguir locomover-se não nos pode acompanhar. A força que temos juntas, o poder que emana de nós, o brilho que ofusca olhares maliciosos... Naquele ambiente em que  surgiam de todo o lado amigos de infância das nossas mães e familiares, foi engraçado as apresentações, as comparações, o quererem tirar parecenças entre nós a todo o custo, e todas nós e cada uma com o seu ar traquinas que mantemos sempre na brincadeira. É giro. Quando só vêem uma de nós, baralham-se com quem na realidade é trocando identidades, e quando nos viram todas juntas baralhados ficaram. Não somos antipáticas para ninguém mas temos as nossas preferências, como em tudo, e não é fácil perfurar o nosso círculo pois a energia une-se de tal forma que se torna numa redoma de força, repudiando quem não vier por bem. As mulheres da minha família materna são todas assim, temos algo de místico, extra sensorial, hiper intuitivo e protegemo-nos naturalmente, sempre ligadas mesmo que distantes fisicamente. 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Houve um tempo...



Houve um tempo sem passado
um tempo que vivi presente
sem temor, feliz, com muito amor
Houve um tempo de esperança
em que corria no tempo, sem tempo, com pressa
pressa de crescer
de encontrar o futuro...
e o tempo passou.
Houve um tempo de prosperidade
de construção, de visão,
conhecimento e investimento
seguido de desilusão, quebra, corte, fim.
Houve um tempo de recomeço
de novas metas no horizonte
onde a maturidade impera sem pressa
num tempo sabiamente tolerante que encurta cada vez mais
um tempo de retiro, de reflexão, de silêncio
onde só interessa quem amamos
e cada dia nos damos mais
e cada dia nos perdemos mais
porque cada dia nos encontramos mais.
Corri a vida à procura de mim
certa de que me havia perdido algures
afinal estive sempre aqui
quero fechar o abraço e não consigo
busco o que não poderei ter porque não existe
mas não aceito menos que isso
e deixo o sonho fluir...
e o corpo teima em ficar para trás
vão caindo folhas e ramos secos
e um dia que se quer longe
virá um vento forte e derrubará a árvore.
Houve um tempo de incertezas
que não volta.




quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Nem sempre um dia bonito, de céu limpo e sol brilhante, pode ser um bonito dia. Tudo depende do nosso estado de alma. Quantos dias cinzentos de chuva são maravilhosos ?


A manhã estava vazia. O pombo olhava-o. E ele, à beira rio, caminhava lentamente, parava e recomeçava. Que pensamentos ocupariam aquela mente ? que preocupações atormentariam o seu coração ? saberia para onde ir ? teria para onde ? estaria alguém à sua espera ? ou esperaria ele por alguém ?... Não sei responder.


Enquanto isso, descobri outro amante de pombos. Muitos podem julgá-lo como um solitário, eu vi-o feliz. Alimentava os pombos naturalmente e eles conheciam-no. Mesmo quando acabaram as migalhas, os pombos permaneceram por ali, alguns mesmo por cima dele. Não deixa de ser interessante verificar que à medida que a velhice vai chegando, vamos nos aproximando da Natureza, libertando aos poucos a vida térrea para conquistar a espiritual.


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O pote da calma (entrem no link)

Tão importante este assunto. No período entre os 2 anos e meio e os 5, 6 anos quantas vezes tive que pegar na criança que fazia a birra e falar-lhe de outra coisa totalmente diferente que sabia ser do seu interesse. Chegamos a ter uma almofada para descarregar maus sentimentos ! No início deste ano, tivemos também um frasco com "medos" escritos em papelinhos que depois de dobrados eram fechados no frasco. De vez em quando tirava-se um papelinho à sorte e abordava-se o assunto. Deu bons resultados, contribuiu para a emancipação e melhor auto estima.
Para mim que sou mãe, é fundamental conseguir travar o descontrole que muitas vezes acontece em chamadas de atenção lá em casa. Pré puberdade e adolescência são muito ricas em acontecimentos, descobertas, tentativas de permissão, a par de um lindíssimo período da vida em que reafirmamos a nossa personalidade e nos preparamos para uma vida adulta futura. Ora, é preciso sabermos controlar o rumo que muitas situações tomam, pois é próprio nestes períodos da vida acontecerem explosões de revolta que acabam em gritaria e histerismo, choro, portas a bater, sem qualquer razão que o justifique. Nós adultos, que já passamos por essas fases, temos obrigação de saber agir. E digo-vos que resulta. E às vezes basta falar noutro assunto, ou tocar um telefone, para que haja uma quebra na corrente de tensão crescente. Nesse hiato, há como que uma tomada de consciência da burrice/teimosia evidenciada e normalmente tudo volta à considerada normalidade. É como abrir a porta de um quarto escuro e deixar entrar uma brecha de luz - tudo fica mais claro e evidente, a perspectiva altera-se, a atitude é logo outra.
Já com adultos... era importante que se conseguisse também. Talvez o pote da calma não seja uma boa ideia. Mas um sorriso, olhar nos olhos, mudar do espaço onde se está para outro, estender a mão... e sobretudo respeitar, saber ouvir, querer resolver, inovar nas atitudes.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

segunda-feira, 23 de novembro de 2015




É assim a lembrança.
Como que tatuada na pele para nunca mais sair. Se a pele estica ou enruga não interessa - está sempre lá. E se a mente conseguir recriar a imagem, os poros acordam, o pelo arrepia, a sensação volta.
A recordação sensorial é tramada.
E fria.
Consegue preencher o vazio que reside na saudade no entanto não satisfaz, não ocupa espaço, não existe.




sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Estive a fazer contas e parece-me que este vai ser o Natal mais genuíno que alguma vez tive. Lareira acesa para manter a casa quente, comida na mesa onde nada faltará, e a família mais chegada de alma cheia e sorriso cintilante. Prendas ? Uma a cada, claro, mesmo que pobrezinha em dinheiro terá sempre muito significado. Cada vez mais o que me interessa é a proximidade afetiva que mantenho com os que mais amo, o que fazemos juntos, do que rimos juntos, o que nos identifica como família. Há coisas que se vão alterando ao longo dos anos. Se quando eu era pequena o habitual era a minha avó fazer os doces de Natal, como não consigo bater a massa e avó dos meus filhos não o pode fazer por motivos de saúde, introduzi o habito de fazer bolachinhas de Natal com os meus filhos. E hoje de manhã quando acordei e o meu braço direito não teve força para afastar a roupa da cama, pensei logo "nem penses que me atraiçoas, nem que caias no fim mas as bolachas vão ser feitas ! oh se vão !"

Resultado de imagem para bolachas de natal