quinta-feira, 4 de maio de 2017

Como eu, há tanta mulher por aí a sentir-se só nos seus pensamentos. Não se confunda com solidão, esse estado que se assemelha a um poço em que alguém cai e custa a sair de lá. Não. Não me sinto fisicamente só. Gosto muito da minha companhia. Gosto de diariamente me isolar um pouco para que em silêncio possa ouvir melhor os meus pensamentos e poder optar sem pressões pelo caminho a seguir. Às vezes não é no silêncio mas sim com a música bem alta de maneira que se erga uma barreira contra todos os sons externos a esse ambiente em que procuro a organização de ideias. Noutras alturas (e cada vez mais) é junto da Natureza, em caminhadas exaustivas individuais para cansar o corpo de maneira a que a energia abandone a matéria e se concentre na essência - o que não é palpável e de facto me define: o espírito, o pensamento, os sentimentos, valores, etc. E ouço o melro a cantar, o vento nas folhas das árvores que me saúdam à minha passagem, a água que corre escondida nas ervas, os corvos imponentes pousando na terra, a lagartixa fugidia, a flor que me sorri... (hoje achei um ovinho pequenino do tamanho de uma unha, guardei-o para mostrar à pequenota). E integro-me aí fugindo do mundo dos Homens onde se discute tudo por todas as razões, ninguém parece estar de acordo em nada, sobre coisa nenhuma. E recordo a avó, amante das flores, dos passarinhos, da vida... que saudades de poder deitar a cabeça no seu colo sem nada dizer... A avó conhecia-me tão bem. E há mais uma ou duas pessoas a esse nível de compreensão comigo. É triste quando queremos expandir a nossa ideia e vimos que não está a ser recebida da mesma forma como a sentimos. E não adianta "gastar latim" porque a pessoa está sintonizada noutra frequência pela qual já passaste mas que felizmente ultrapassaste. E não sai dali. E não aceita. E responde fora do contexto quando se espera que nos tenha ouvido e compreendido porque até é uma pessoa amiga conhecida há tanto tempo ! E cai tudo. A pessoa não percebe nada !! A conversa acaba abruptamente porque não vale a pena continuar e penso: "é isto a maturidade ? Devo calar-me, fazer-me desentendida para não ferir o outro(a) e sair airosamente da conversa ?" Tirem-me deste filme se faz favor ! Ainda passo por mal educada e estou a borrifar-me para isso porque já estou naquela idade que não devo explicações a ninguém, apenas devo respeito a quem me ama, quero é viver em paz comigo e com os que amo. As pessoas estão a perder-se no mundo material, de aparências e ostentações e isso cansa-me. Mas há mais, muito mais... fica para outro dia. :)

Tive um fim de semana maravilhoso ! Livre, com quem mais amo !


sexta-feira, 21 de abril de 2017


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A preocupação é filha do amor e rouba-nos tempo para o viver na sua plenitude.


terça-feira, 18 de abril de 2017

Já não sinto da mesma forma. Ou talvez sinta mas algo me impede de conseguir descrever essa sensação. Talvez me cale propositadamente. Ainda noutro dia comentava com a minha mãe que no nosso dia-a-dia temos de nos fazer de parvos na maior parte das vezes para que os dias corram melhor. E às vezes até acho que isso é uma atitude inteligente. Mas será que é mesmo ?... De facto, há momentos em que isso é válido, nomeadamente quando a conversa descamba e sai do contexto e mesmo que chamemos a atenção para isso, o nosso interlocutor foca-se noutros aspectos levando à desconversa. Se o faz com intenção ? Acredito que sim, mas nem sempre. Quando isso acontece, a pessoa só enxerga para esse lado arruinando qualquer hipótese de outra perspectiva, perdendo pontos na inteligibilidade do fio condutor da conversa. Logo, o parvo real é ele. Por outro lado, o facto de não se dizer o que se pensa, foge um bocadinho à coragem e permite o espezinhamento de identidade por parte do outro. E isso irrita e faz mal à saude. O acumular de sentimentos negativos prejudica o funcionamento de orgãos vitais. O melhor é escolher o meio termo, dando azo a brechas no comportamento. Não, não vamos bater em ninguém :) Mas se apetecer dar uns gritos, pois que se dê, seja dentro do carro, no alto da serra, junto ao mar ... não dá para gritar ? pois que se corra, que se faça exercíco até se cansar o físico e a mente para poder descansar depois. E deve haver a compensação, quer seja a rir, a brincar, a passear calmamente, a ler um livro, a desenhar, a dormir, algo que nos transmita tranquilidade simplesmente. Quando afirmo que já não sinto da mesma forma, quero dizer que ando desiludida com as pessoas não sabendo distinguir a veracidade dos seus sentimentos e atitudes. Tão simples como dizer "bom dia" e esperar resposta idêntica. Se não a recebes, percebes que há algo que o justifique mas se não questionares não saberás o que é. Tenho fases em que gostaria de fazer um reset a certas pessoas do meu circulo diário de encontros e desencontros. Mas tenho consciência que tudo voltaria. Karma... a ver se aprendo de uma vez !


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quarta-feira, 12 de abril de 2017




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Tenho dias de m#%da em que me isolo do mundo mais ainda do que nos outros dias em que amavelmente sorrio fingida a toda a gente conhecida que por mim passa. Porque temos de ser simpáticos e não mostrar o que vai cá dentro. Horas em que nada parece estar bem. É o horário que não se ajusta aos afazeres nem o contrário, é a amiga que falta quando é necessária, é o médico que põe em causa as queixas da doente que chora atormentada pelas dores, é aquela necessidade de falar e nem uma palavra se atreve a ser pronunciada porque sabe que se perderá no ar inspirada por qualquer nariz antes de chegar a um ouvido compreensivo, é aquela saída que mais vale fazer só porque não há vivalma que sinta como tu aquele concerto único, e olhas as estrelas e pensas na vida. No que conseguiste, no que gostarias de atingir. E as dores evidenciam-se enquanto escreves. E pensas que se desse para as ver iluminadas, não precisarias de candeia. O caminho faz-se de qualquer maneira, nem que seja ao trambolhão. Gosto do meu a subir, devagar, degrau a degrau. De preferência sem dores. Que dia nostálgico… tanta recordação me tem assolado a memória durante o dia, que turbilhão de pensamentos versus sentimentos… os amores que sentimos são frequentemente tão diferentes dos que nos sentem. Mas valem sempre apena. É bom amar. Melhor que ser amado. Damos tanto de nós sem nada esperar na volta ! e é isso que é amar – dizem. Amo sempre até ficar vazia de tanto dar. Quando isso acontece deixo de amar. Amar é dar amor e receber amor. É por isso que há amores que duram para sempre. O que me dói mais (para além desta dor que me impede de escrever à velocidade que desejo) é a alma que guarda em si pontos específicos de amores que amei e por ali ficaram depois de esvaziar o coração. E continuo a amar alguns contra minha vontade porque os seus sorrisos vão enchendo o coração que se ilude e pensa que é amor. Ah sentimento ! Ah vida ! …
Já consigo ouvir os passarinhos de novo. E isso é bom. Dá esperança. Obrigada.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Cansa-me o lamento quando é demais, quando é a única conversa que esta ou aquela pessoa tem para comigo. Sim, estou sempre disponível para ouvir quem quer que seja - mas não abusem ! Não sou um depósito de lamentações alheias ! Qualquer uma que escute deixa algo em mim, contamina o meu ar, carrega negativamente a minha energia e (novidade) também tenho as minhas chatices. (E normalmente quem se queixa muito, pouca atenção dá aos lamentos dos outros porque está essencialmente virado para si, alimentando o seu já gordo ego). Mas há aqui um diferença. É que as minhas, é o papel que fica com elas na maior parte das vezes. Tenho apenas duas almas queridas capazes de atender os meus desalentos. Uma está demasiado carregada com os "lamentadores" que tem à sua volta diariamente e a outra é demasiado nova, ainda está a desenvolver capacidades. Não vale a pena falar com mais ninguém se não corro o risco de no clímax do lamento não ser compreendida ou pior ainda, sê-lo erradamente e arrepender-me para o resto da vida de ter aberto a boca. É que também há pensamentos que não devemos verbalizar. Ultimamente tenho tido muitos que nem me atrevo a escrever, sob risco de alguém não saber decifrar as palavras que os transcrevessem. É que para compreender o "outro" temos obrigatoriamente de colocarmo-nos no seu lugar, perante as mesmas circunstâncias, e dificilmente deixaria alguém tomar o meu lugar. Tem de ser alguém espiritualmente desenvolvido o suficiente para me entender com o olhar. A pessoa que me entende, não precisa de me ver para saber o que se passa comigo. Às vezes nem precisa de me ouvir. Isto para mim é uma forma de amar o outro. E quando nos abraçamos, os nossos corações ficam ali perto um do outro batendo descompassadamente enquanto se entendem no silêncio das nossas bocas. É um abraço tão reconfortante, tão tranquilo, sinto uma pertença, uma identificação acima de mim mesma, transcende-me.
Há pessoas que ficam loucas ao acumular lamentos, segredos, principalmente os dos outros.
Eu canalizo os que guardo para criar algo.
Estou em fase de (pré) criar algo, ainda não sei bem o quê...

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sexta-feira, 17 de março de 2017

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Sobra-me espaço
Não tenho tempo
Corro para lá
Vôo para cá
Falo aqui
Escuto acolá
Abraços e beijos
Tenho tempo para dar
Mas logo retomo
a corrida sem parar
E quando paro e reflito um pouco
desejo o recomeço para não pensar
Toldam-se-me os olhos
aparecem os medos
ameaça o silêncio com todas as verdades
e enfrento e resisto e vou mais além
Mas sobra-me espaço
espaço para mais amor
Para ti.


quarta-feira, 8 de março de 2017

Sejamos amigas umas das outras.
É o mais importante que tenho para dizer sobre o dia que hoje se comemora.
Sejamos unidas.
Respeitemos as diferenças de cada uma, pois somos todas idênticas.
Dá para perceber, não dá ?
Se somos o fruto do que outras lutaram, porque não havemos de nos compreender e aceitar ?
É tudo mais fácil hoje para nós comparando com umas boas décadas atrás, mas tenham presente que ainda há muito por fazer.
Estamos cá.
E vamos à luta todos os dias.
Lembrem-se sempre da primeira mulher das vossas vidas e tentem perceber as suas atitudes, porque boas ou menos boas, todas tiveram algo que as originou. Aceitem-na. Amem-na por aquilo que é no seu mais íntimo. Se hoje não a entendem, talvez ela também não vos entenda...
Sejamos amigas.
Hoje e sempre !

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