quarta-feira, 20 de maio de 2015



Hoje vou fazer uma surpresa a alguém que me foi (é...) especial. Haverá um jantar em família e sei que a minha simples presença irá emocioná-lo até às lágrimas. Terá à sua volta as mulheres mais importantes da sua vida (5) e sei que ficará tocado. É sensível ao sentimento e tem uma percepção única do que o rodeia. Lembro-me de ter nascido. Do carrinho de bebé que ajudei a escolher, bordeaux... recordo o colo cheio que me preenchia nos meus 9 anos de idade, ansiosa por um irmão. Foi o único Nenuco que tive, mas a sério. Tão mulherzinha que fui em cada muda de fralda, sempre com determinação mas algum receio não fosse picar algum refego do menino com o alfinete dama, é que as fraldas descartáveis ainda não tinham chegado à nossa casa. Tanta sesta que dormimos juntos ! Tanta brincadeira, tanto riso... meu bebé, meu mano... A vida dá voltas e nós vamos rodopiando e perdendo sonhos. Esfolamos os joelhos ao cair da bicicleta mas logo passa. Mas há feridas que ficam para sempre pela cicatriz que deixam. Foram muitos anos sem contato, sem nada saber e querer saber tudo. Porquê ?!!!
Voltou homem feito, ainda que meio desamparado, rumo incerto, a precisar de mimo. Mas o coraçãozinho é o mesmo, é o meu mano. Sei que é importante para ele que eu conheça a última mulher da vida dele. Vou lá dar-lhes aquele abraço bom, gostoso. E vou gostar muito dela porque ele também gosta.

segunda-feira, 18 de maio de 2015


abrazo

Por vezes basta um abraço. O mundo quase nos esmaga com tanta exigência. Não dormimos o suficiente por preocupações mínimas que devido a tudo e mais alguma coisa, se exponenciam sem controlo como bola de neve. Acordamos mil e uma vezes de noite, balbuciamos palavras que ninguém entende, voltamos a adormecer naquele sono agitado e acordamos antes do despertador. Temos o horário no corpo. Temos mas é ansiedade ! Perdemos a noção de tudo na ilusão que estamos a comandar as tropas mas quem comanda é o relógio. E começa a correria. (Que nervos!) Com a mente organizada os gestos são dirigidos com tranquilidade. Ainda há tempo. (Há sempre tempo para tudo !) E o dia vai correndo… embora não ande nem corra. O tempo é que passa porém é sempre o mesmo porque permanece. E no desamparo em que o tempo que é sempre o mesmo (porque é para mim, para ti e para todos os outros) passa por nós, acaba por permanecer nos traços que nos deixa a pouco e pouco. Nem damos conta. Pensando bem, se o tempo é sempre o mesmo e permanece, somos nós que passamos por ele e que nos marcamos mais ou menos consoante a passagem. (Bastava-me um abraço teu agora e parava com estas insanidades agora mesmo). Isto passa com o tempo. Não. O tempo não cura tudo porque não cura nada. Ou fazemos alguma coisa, tomamos atitudes ou se estamos à espera do tempo, ele por si só nada fará (porque é estático, igual, repetitivo, “always the same”…) Por estas, por outras e outras ainda é que problemas vários se instalam nas vidas das pessoas e se diz ignorantemente “é dar tempo ao tempo” sem perceber que um dia essa pessoa acaba no tempo. E perde-se tudo. Perde-se o tempo, acaba o prazo.Um abraço pode dissolver tanta amargura. Um abraço sincero junta pedaços de amor e alenta corações. Um simples abraço melhora a auto estima, dá confiança, promove a fé. Por vezes basta um abraço para nos sentirmos seguros. E mesmo quando aparentemente está bem, quando parece que aquela pessoa lá do alto do seu sorriso consegue facilmente passar pelo tempo sem que este a moleste, desenganem-se ! –  tentem dar um abraço a essa pessoa e vejam o efeito. (Abraças-me num destes dias ?)


Nunca fui de fazer planos, Aliás, quando os faço há sempre algo que atropela o caminhar na perseguição de objetivos. Um bom exemplo são os fins de semana. Ainda vem longe e já estamos a pensar no programa para ocupar o tempo, mesmo que seja nada fazer. Os planos saem alterados; ou nem se sai de casa, ou o clima muda e impede de alguma forma o que tínhamos projetado, ou recebe-se uma visita inesperada que até pode ser positiva, ... tanta coisa. Já uma vez me aconteceu comprar um bilhete para um concerto que seria daí a uns 5 meses e quando chegou a data chegou também uma infeção urinária com dores e febre. Lá tive que vender o bilhete. Aceitei bem. Pensei que não era para ir e pronto. E foi a oportunidade de quem não costumava ir a concertos, ir dessa vez. Há que não fazer grandes planos para o futuro. Se prepararmos bem o presente, se nos monirmos de condições e estratégias para enfrentar situações inesperadas ou provavelmente até esperadas porque já nos passaram pelo pensamento, não há necessidade de fazer planos. Há necessidade de sermos positivos, ter a flexibilidade correspondente a cada momento, não fraquejar nem criar barreiras, pois tudo nos ensina algo. Somos adaptáveis à realidade. Às vezes um simples sorriso ajuda a enfrentar a segunda feira. É importante pensar na segunda feira como um recomeço, uma oportunidade de começar outra semana. Quem sabe tudo melhora ? Se mantivermos a atitude positiva perante a vida, ela tenderá a ser positiva connosco. Tudo retorna, tudo é cíclico, se formos agressivos recebermos agressividade, se dermos amor receberemos amor. Eu recebo todos os dias , o que me faz pensar que o dou também. Não me analiso a esse ponto e se o faço é sem pensar em receber de volta. E sabe tão bem receber umas palavras preocupadas connosco, perceber num olhar que há mais que simples amizade, receber um elogio sobre algo que fazemos todos os dias e nem damos conta que pode ser importante para alguém. A vida é um jogo. O dia a dia é como uma máquina de flippers em que somas pontuação se souberes acertar nos pins certos ainda que inadvertidamente, podes até tirar bónus mas terás de ser ponderado para não te entusiasmares muito e abanares o jogo todo senão acaba com um "tilt" e fica tudo escuro. Aprende a viver o momento, todos os dias um pouco mais,  não deixes para amanhã se é hoje que queres fazer acontecer qualquer coisa.


           


domingo, 17 de maio de 2015



São ventos !
São os ventos que trazem o teu cheiro
nos cabelos ondulantes quase sinto as tuas mãos
entrelaças e prendes os dedos
soltas quando me percebes dominada
e sorris malicioso.
A brisa quente dança á minha volta
e rodando a saia levanta
qual mão atrevida
fecho os olhos e deixo-me levar por recordações.
A valsa acelera e envolve
a leveza da harpa...
como se comigo estivesses !
rodopio e corro
danço louca
até que a realidade volta
o vento vai
mas o teu cheiro fica.
Está em mim.


La Valse (M. Ravel)


sexta-feira, 15 de maio de 2015



Hoje, dia 15 de Maio, é o dia internacional da família.
Foi escolhido este dia pela assembleia geral da ONU, para celebrar essa instituição que é a família, visando chamar a atenção para a sua importância na sociedade, valorando sentimentos como o amor, o respeito, fundamentais para os bons relacionamentos entre os elementos que compõem a família. Pretende ainda salientar os direitos e deveres das famílias e mostrar que a família é e sempre será o núcleo de toda a sociedade. Sugere-se piqueniques, abraços, beijinhos e afins.
Mas eu hoje, aliás já há uns tempos, que ando do "contra". Será um simples dia no ano que contribuirá para atingir os objetivos para que foi criado ? Dia da família é todos os dias ! Assim como o dia do pai, da mãe, dos avós, do periquito, etc. O sentimento de família, de união, de pertença a um grupo às vezes está precisamente fora dos laços de parentesco. Venha lá a ONU pôr ordem à mesa de uma casa de família sem emprego, ou com problemas de alcoolismo, ou deficiências sem quaisquer apoios, ou... É por falta da importância que se lhe devia dar que a "família" está como está. Que apoio há para promover a natalidade, a saúde, a escolaridade, que apoios há no chamado "planeamento familiar", onde se promove o emprego decentemente remunerado, que esperança de vida sustentável temos ? há por aí alguém que não tema a falta de condições na velhice ? Família... onde ? Nem à mesa se juntam muitos dos seus elementos. Os que trabalham fazem-no até mais tarde para garantir mais algum dinheirinho (quando lhes pagam), ou a mãe ainda não chegou porque foi lavar umas escadas, entretanto o filho deixou-se dormir porque não consegue aguentar os horários e tanto trabalho de casa e a avó, acamada, espera que alguém lhe possa trocar a fralda... famílias com mais elementos é pior ainda. Claro que ainda há os que vivem minimamente, que se esforçam para que nada falte e têm a sorte de ter uma fonte de rendimento fixa. Mas mesmo aí, a estrutura familiar é frequentemente abalável por motivos externos. Devia recomeçar-se. Investir. Criar condições para que duas pessoas formem um lar, proporcionar vida em comum, apoiar a natalidade (inclua-se adoção responsável), desenvolvimento de politica social ao nível da saúde, emprego, segurança social, oportunidade  igual de desenvolvimento na formação e educação para todos... e por aí fora.
A minha célula familiar nuclear é pequena, mas todos os dias celebramos mesmo que distantes por vezes. Temos sentimentos comuns, entre eles, o AMOR, o RESPEITO, a ENTRE AJUDA. E promovemos a VERDADE, e a PARTILHA. Tem valido apena.




Sedenta de juventude
De energia
De frescura que me renove
De um novo respirar
De um novo sentir
Que seja diferente no desenrolar
Que me provoque o retorno
De sensações outrora esquecidas
Corro para ti
Acelera-me a pulsação
E esqueço tudo
Todos os anos parados
A felicidade atordoada
O sorriso enganoso
Busco o amor total
A fundição de corpos sob o mesmo grito
O mesmo prazer, o mesmo querer
Corro riscos na tentativa de atingir a plenitude
De um sentimento que sei não existir
Na esperança de o tocar num ínfimo momento
Para depois abrir as pálpebras e encontrar a realidade
Serei imortal nas marcas que deixo no caminho de alguém

E sigo em direção à vida.

quinta-feira, 14 de maio de 2015



Tardes mornas de outono

Pudera eu realizar
Sonhos loucos de amor
Numa tarde assim seria tua
Entregando-me sem pudor.
Se acaso quiseres, diz
Serei a brisa envolvente
Vou fazer-te feliz
Refrescar o teu corpo quente.
O dourado das folhas
Aconchega o sentimento
Não vás agora
Acaba com o tormento.
O meu coração é teu
Tenho receio de o dizer
Quando estás próximo
Acelera o seu bater.
Não te digo o que sinto
Temo que vás fugir
Mas também não te minto
Digo o que queres ouvir…