sexta-feira, 15 de maio de 2015



Sedenta de juventude
De energia
De frescura que me renove
De um novo respirar
De um novo sentir
Que seja diferente no desenrolar
Que me provoque o retorno
De sensações outrora esquecidas
Corro para ti
Acelera-me a pulsação
E esqueço tudo
Todos os anos parados
A felicidade atordoada
O sorriso enganoso
Busco o amor total
A fundição de corpos sob o mesmo grito
O mesmo prazer, o mesmo querer
Corro riscos na tentativa de atingir a plenitude
De um sentimento que sei não existir
Na esperança de o tocar num ínfimo momento
Para depois abrir as pálpebras e encontrar a realidade
Serei imortal nas marcas que deixo no caminho de alguém

E sigo em direção à vida.

quinta-feira, 14 de maio de 2015



Tardes mornas de outono

Pudera eu realizar
Sonhos loucos de amor
Numa tarde assim seria tua
Entregando-me sem pudor.
Se acaso quiseres, diz
Serei a brisa envolvente
Vou fazer-te feliz
Refrescar o teu corpo quente.
O dourado das folhas
Aconchega o sentimento
Não vás agora
Acaba com o tormento.
O meu coração é teu
Tenho receio de o dizer
Quando estás próximo
Acelera o seu bater.
Não te digo o que sinto
Temo que vás fugir
Mas também não te minto
Digo o que queres ouvir…


quarta-feira, 13 de maio de 2015


Tantas vezes mal interpretado por desconhecimento da sua grandiosidade, o silêncio é de ouro e cada vez mais valorizado. Se para quem trabalha no centro de ruído ele é necessariamente urgente, não o é menos para quem esgota o pensamento diariamente com cálculos, ocupações desgastantes, ou outras preocupações inevitáveis. De notar que o que é ruído para uns pode não ser para outros. A avó que enche a casa de netos de diversas idades mais os amigos que por arrasto se sentam à mesa e conversam entre gritinhos e risos, ganha vida participando nas alegrias desses jovens (como gostava de vir a ser assim comigo um dia...) e o que para ela é entusiasmo e vida, para outros é o ultrapassar o limite de decibéis permitidos pelo tímpano sensível. Mas o silêncio assume muitas facetas, muitos estados de espírito, diria mesmo que guarda muitas palavras em si mesmo, palavras essas que na maioria das vezes fluem de uma forma tão intensa que a desordem é tamanha e o silêncio é a única esperança para que se consiga ordenar o pensamento e as ideias. O silêncio proporciona o encontro connosco, com o nosso "eu", com o "consciente" na procura do "inconsciente", estimula a concentração e a reflexão, ajuda ao (auto) conhecimento. O silêncio ensina a escutar as histórias contadas pelos gestos corporais, pelo olhar que diz mais que a boca, pelo toque sentido de dois corpos, distingue o respirar aflitivo do respirar suspenso apaixonado. O silêncio não é a ausência de som. É apenas o som surdo, que não se faz ouvir mas faz-se entender. Por isso mesmo, o silêncio também pode ser uma resposta embora nem sempre a melhor. Pode de facto contribuir para a resposta mas a comunicação pode ter interferências e gerar mal entendidos. Diálogo é a solução, mesmo que em silêncio. Como disse Leonardo Da Vinci, "as mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar"...

Afirmação

A essência das coisas é senti-las 
tão densas e tão claras, 
que não possam conter-se por completo 
nas palavras. 

A essência das coisas é nutri-las 
tão de alegria e mágoa, 
que o silêncio se ajuste à sua forma 
sem mais nada. 

Glória de Sant'Anna, in 'Um Denso Azul Silêncio' 

segunda-feira, 11 de maio de 2015



E é assim. Depois de um dia extenuante de tanta atividade e felicidade convém fazer uma pausa. Uma pausa para recordar sorrisos sinceros, abraços verdadeiros.  Uma pausa para voltar a ouvir as vozes e as gargalhadas e chilreadas das crianças que descalças correm pela casa sem preocupações. Tão bom !... Volto atrás no tempo e vivo de novo os aniversários em criança e recordo os amigos que ainda estão, os que já partiram por uma ou outra razão mas que estarão sempre no meu coração, lembro os aromas, as brincadeiras, o sol, os locais, as zangas... Uma vez tive um bolo feito pela minha mãe, barrado de chocolate com uma casinha construída de bolacha baunilha ! Lembro-me de partir bolachas para fazer salame. E do meu pai a aspirar a sala depois de todos saírem. E os aniversários de improviso em casa da avó em que se avisava quase na hora os amigos que brincavam à porta de casa, mal dava para a tia-irmã fazer um bolinho e umas sandes e lá estávamos todos contentes para a brincadeira ! Gosto de festas de amigos, das historias que se contam, das fotos inesperadas, do que deixamos escrito no livro da amizade, das interligações de vidas às vezes tão diferentes mas tão iguais, do sentimento comum que nos une, da coesão dispersa que sempre nos reúne. Espero que todo o meu esforço e boa vontade contribua para que mais tarde alguém recorde dias felizes como penso que proporciono. Cansada mas realizada. Hoje, é dia de pausa. Para sorrir de olhos fechados. Tranquilamente.

sábado, 9 de maio de 2015


 

É para mim gratificante voltar 20 anos depois a encontrar-me com pessoas que faziam parte do meu dia-a-dia, e verificar que o carinho, a estima, a amizade se mantêm mesmo com um hiato no tempo. Um jantar em que o que menor importância teve foi, de facto, a comida. Estou feliz por ter pessoas assim na minha vida e também por estar de alguma forma na vida dessas pessoas. É bom saber que gostam de nós.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Voei por uns dias...

Andei por aí, saltitando e rindo por campos de flores de canola (utilizada para o bio diesel), livre, vivendo. Foram dias intensos. De viagens, de visitas, de conversas, de contato com outras culturas e sobretudo, dias de muita partilha, muita amizade, muita cumplicidade. Foram dias crescentes de sentimentos, de vivências, de recordações. Desde o pombo da Índia gordo em Scunthorpe ao casal de cisnes a voar sobre Londres. Desde as numerosas bicicletas em Cambridge aos carros topo de gama que via na estrada. Desde as vivendas amorosas e cuidadas às imponentes construções em pedra de igrejas e palácios, ou mesmo lojas de 4 andares de uma só marca. Desde o abraço do primeiro dia à lágrima do último... Tudo foi inesquecível  ! E ao contrário do que esperava, as pessoas são simpáticas e o tempo surpreendeu pela positiva. Vim impressionada com a autonomia dos idosos, com as casas de um só piso que lhes estão reservadas, com a facilidade de deslocação pelo veiculo fornecido pelo Estado mediante pedido justificado, com o facto de não haver limite de idade na contratação laboral contribuindo para que todos se sintam úteis e ativos. Quase caí quando me disseram que não há infantários e que as mães podem acompanhar os filhos até aos 16 anos sempre recebendo vencimento, e que só têm que comprar a farda da escola pois desde a borracha ao livro o Estado suporta. Já para não falar no financiamento universitário, cujos alunos pagarão mais tarde quando estiverem empregados descontando uma percentagem, desde que superem o limite anual de libras considerado como vencimento mínimo. Gostei da recolha de lixo em dias certos consoante a separação para reciclagem. Detestei a comida, pronto, nada a fazer... minha rica comidinha portuguesa !!! Percorri uma praça e fiquei desanimada - uma banca de peixe (sem cabeça) e uma de legumes embalados, tudo o resto eram talhos... Venho de coração cheio com Londres e toda a diversidade de gentes, raças, cores, com a 'movida', tudo !! Amei a Trafalgar Square ! Sim, um dia volto, com mais calma.