sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O que se faz quando se perde o chão ?
Quando tudo o que era certeza, desmorona
Para onde se vai quando o vazio preenche o peito
Que perguntar quando não há respostas
Os olhos procuram
as mãos não encontram
Há um fogo a queimar desvairado
que o vento louco incentiva e a chuva contraria
luto anunciado que não se cumpre
brota vida no meio das cinzas
a viagem continua, qual condutor vendado
caminhos agrestes por desbravar
tristes trevas mascaradas de enganos
suspeitas ilusões assentes em mentiras
surpresas serão poucas...

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

E é assim. Quando a alma não está tranquila, não está bem, canalizo toda a frustração para o trabalho artesanal, para a arte feita com as mãos. A desilusão sai pelas extremidades e transforma-se em algo de belo e/ou útil. E enquanto as mãos trabalham e desembaraçam a corda dando-lhe forma, a cabeça matuta e desembaraça pensamentos dando-lhe ordem.


Resultado de imagem para mais um dia


Sabe bem sair à rua bem cedinho e ainda sentir a frescura da noite que acalma a agitação do dia. Poder ouvir o acordar do dia com os pássaros chilreando, encontrar as ruas vazias com as luzes acesas e mesmo ali ao lado uma estrada que nunca dorme. Mais um dia a acordar, mais um dia para viver e aproveitar cada minuto, mais uma oportunidade de ser feliz. Obrigada.


quarta-feira, 2 de setembro de 2015



Resultado de imagem para setembro



Já é setembro outra vez
cada folha que cai é uma recordação boa deste mês, em anos diferentes
as menos boas são as que não caiem
a canção diz "foi em Setembro que te conheci"
foi muito mais que isso...






Recordar é viver (Vitor Espadinha)

Foi em setembro que te conheci
Trazias nos olhos a luz de Maio,
Nas mãos o calor de Agosto e um sorriso
Um sorriso tão grande que nunca tinha encontrado
Ouve, vamos ver o mar...
Foste o 30 de fevereiro de um ano que inventaram
Falamos, falamos coisas boas e acabamos, em silêncio,
Por unir as nossas bocas e eu aprendi a amar

Sim eu sei que tudo são recordações
Sim eu sei é triste viver de ilusões
Mas tu foste a mais linda história de amor
Que um dia me aconteceu e recordar é viver
Só tu e eu

Foi em Novembro que partiste
Levavas nos olhos as chuvas de Março
E nas mãos um mês frio de Janeiro
Lembro-me que me disseste que o meu corpo tremia
E eu que queria ser forte, respondi que tinha frio
Falei-te do vento norte
Não me digas adeus, quem sabe talvez um dia...
Como eu tremia de inverno, amei como nunca amei
Fui louco? Não sei, talvez! Mas por pouco, muito pouco,
Eu voltaria a ser louco com o amor de ti e o tremer

Sim eu sei que tudo são recordações
Sim eu sei é triste viver de ilusões
Mas tu foste a mais linda historia de amor
Que um dia me aconteceu e recordar é viver
Só tu e eu (3x)
Algumas das minhas amigas que foram mães por volta dos 20 anos (eu tardei a sê-lo comparando com elas) começam agora a nova fase de serem avós. Se por um lado tiveram a hipótese de serem muito próximas dos filhos por serem mães jovens (a minhã mãe também o foi), agora são umas avós também jovens, ágeis e bonitas. Se por uma lado ainda trabalham e não têm tanto tempo disponível como tinham as avós de antigamente, por outro lado têm outras coisas favoráveis como a carta de condução e um carro, liberdade que outrora era escassa (se a minha avó tivesse tido a carta e um carro...!). Deve ser das coisas mais fixes para uma avó bem humorada, levar os netos a passear de carro, cantando pelo caminho e fazendo umas loucuras próprias de avós com netos, permitindo pequenos delitos sem consequências como só sendo avó se pode permitir ! Que bom o colo da avó, aqueles beijos sem pressa, o peito fofo capaz de consolar qualquer rosto cujo sorriso é ameaçado por uma lágrima, a pele madura onde nos sentimos confortáveis, o abraço que nos dá segurança ! E aquele cheirinho das tardes de bolos e compotas, café quente ou pão acabado de fazer ! Ou a vez que fingimos dormir e a avó nos aconchega com a delicada mantinha só usada por nós ! Oxalá venha a ser uma avó completamente disponível e ativa o suficiente quando chegar a minha vez (se chegar). Ter a sala com netos à mesa, seja a comer seja a fazer qualquer trabalho manual, proporcionar-lhes experiências únicas que os pais não têm tempo nem paciência, tomar conta deles desde pequeninos (mesmo que aos 3 anos vão para a creche para desenvolver outras características)... haverá coisa melhor ? Voltar a ser mãe ao ser avó ! é um luxo ! Por estas razões, fico um bocadinho bloqueada quando verifico que tenho amigas que não referem a palavra "neto(a)", embora tenham orgulho em apresentar a cria do filho(a). Faz-me confusão ouvir, "quem os fez que os ature" quando até quem profere tamanha aberração entregou os seus a alguém para criar. Compreendo até que queiram de alguma forma usufruir de uma suposta liberdade de tempo que nunca tiveram. Mas afinal, estamos cá para quê se não para ajudarmos os que precisam de nós ? Os filhos dos meus filhos, meus filhos serão com um sabor muiiito especial: serem meus netos.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

A grande caminhada da Vida XI

No banco só e abandonado, Alice acomodou-se para calorosamente atender aos seus desabafos. Tantas vezes aquele banco acolhera o Amor e agora ali secava a sua madeira sem brilho, já quebradiça. Alice percebera o murmúrio em que se lastimava e decifrou a saudade. Saudade de um tempo em que esse banco recebia sentimentos sublimes, ouvindo promessas, guardando segredos. Quantas vezes por meio de discussões infundadas detetava desejo, sentindo o calor que emanava dos corpos, para logo a seguir se entregarem numa mistura de energias. Agora que já não brilhava, não queria mais amantes sobre si, bastava-lhe ser o amparo de alguns que como ele precisavam de descanso. Mas ainda assim, um casal de pássaros pousou em si trocando mimos.Alice levantou-se discretamente e seguiu o seu destino pensando " o amor prevalece sempre".


Todos os dias falamos com pessoas muito diversas. Relacionamo-nos com todo o tipo de pessoas. Seja por criação, educação, formação, profissão, não há uma pessoa igual a outra. Nem nós sabemos a influência que temos na vida das pessoas que se cruzam connosco, nem essas pessoas sabem o que nos influenciam diariamente. Há pessoas que são uma referência para nós, um modelo, um exemplo que adotamos para seguir, para imitar em alguns aspectos. Outros, façam o que fizerem, servem para sabermos que não os queremos imitar em nada. Há outros ainda, a quem somos indiferentes até um determinado dia e que por qualquer razão nos despertam o interesse. Essas pessoas, embora habitualmente tenhamos pouco conhecimento delas, por vezes tornam-se num marco nas nossas vidas. Ocupam um determinado período de tempo nas nossas memórias como se mais nada importasse nesse curto espaço de tempo. E assim ficam referenciadas adquirindo um estatuto provavelmente imerecido, mas que sem querermos, nos condiciona muitas decisões que se tornam permanentes apenas por termos conhecido essas mesmas pessoas. A mente humana é complicada e frequentemente inexplicável. Ou não...